Esperança para quem busca uma colocação no mercado, os empregos temporários de fim de ano serão ofertados em menor número em 2015. A crise derrubou a oferta de vagas e aumentou a concorrência para quem aguarda um novo posto.

Pesquisa da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) aponta que a maioria dos lojistas (72,6%) não realizará contratações neste fim do ano. A incerteza ronda 15,8% dos entrevistados. Os que afirmaram que vão contratar somam apenas 11,6%.

Ainda de acordo com a pesquisa, a expectativa é a de que sejam criadas aproximadamente 1.550 vagas na capital, queda de 8% em relação a 2014, quando foram admitidos 1.680 temporários.

O levantamento foi realizado no período de 16 a 30 de setembro, com 97 empresários de Belo Horizonte.

“Com a elevação da inflação e do dólar e a tendência de diminuição na renda e nos níveis de emprego, o comerciante tem que reduzir a despesa”, afirma o vice-presidente da CDL-BH, Marco Antônio Gaspar.

Para ele, a “cautela” é resultado da crise econômica e da queda das vendas registradas pelo comércio em todo o ano de 2015. “Diante do cenário de retração, aqueles que vão contratar devem esperar até o último momento”, diz.

Segundo Gaspar, o aumento do fluxo de clientes às vésperas do Natal é certo devido ao pagamento da segunda parcela do 13º salário. “Os consumidores devem ir às compras e, para não perder vendas, boa parte dos lojistas deve abrir vagas apenas nesse período”, afirma.

Proprietário da Brinkel, loja especializada em brinquedos no bairro padre Eustáquio, Altair Rezende colocou o pé no freio nas contratações neste ano. Para o Dia das Crianças, 18 funcionários foram admitidos para reforçar o atendimento, seis a menos que no ano passado. Mesma redução será adotada para o Natal. “A crise faz com que o empresário fique receoso. Temos que enxugar custos e buscar uma produtividade melhor”, diz.

Rezende faz parte do restrito grupo de lojistas que vai empregar mais de 10 temporários para as festas de fim de ano. Segundo o levantamento da CDL-BH, dos lojistas que afirmaram que vão contratar, a maioria (77,8%) deve admitir de um a cinco funcionários. A previsão de 22,2% dos entrevistados é abrir de seis a 10 vagas, no máximo.

O cargo de vendedor será o mais ofertado para o Natal, segundo 80% dos empresários. Em seguida, aparecem as vagas de caixa (10%) e fiscal de loja (10%).