Dólar e inflação salgam banquete natalino, mas comércio espera alta nas vendas

Leíse Costa
leise.costa@hojeemdia.com.br
03/12/2021 às 21:11.
Atualizado em 08/12/2021 às 01:12
 (Fernando Michel)

(Fernando Michel)

Pressionada pela cotação do dólar (R$5,65) e a inflação – que vai fechar acima de 10% no acumulado de 12 meses –, não deu outra: a ceia de Natal de 2021 vai ser bem mais salgada que a do ano passado. Pesquisa do Mercado Mineiro mostra que os itens que compõem a mesa na data subiram até 58,86%, como é o caso do preço médio do quilo de damasco seco, que passou de R$ 47,74 para R$ 75,84 em um ano. Levantamento da Fundação Getúlio Vargas também dá uma dimensão das altas: o quilo do frango inteiro está 27,3% mais caro que o ano passado.

A empresária Joanna Habaeb trabalha com montagem de ceia natalinas. No ano passado, o banquete para cinco pessoas era comercializado a R$200. Com os reajustes inflacionários em todos os itens – na grande maioria importados –, a ceia saltou para R$339. “Não fizemos substituição por ser uma data única e as pessoas se identificarem com esses sabores natalinos”, diz. Mesmo com o aumento de 69,5% no serviço, a expectativa da empresária é manter o desempenho de vendas. “A gente já fez o estoque para atender a mesma quantidade de pedidos”, relata

Ana Cristina Rodrigues, proprietária da Castanharia Central, localizada no Mercado Central, deve reajustar seus produtos em até 200%. “Todos os itens que o pessoal consome nessa época subiram”, argumenta. Segundo a comerciante, o quilo da ameixa era vendido a R$24,90 em 2020 e, hoje, a R$59,90 (+140,5%). “Mas vou precisar reajustar esse ano de novo porque meu fornecedor já avisou que a próxima remessa está mais cara”, diz. A previsão é que, até a data da ceia natalina, o quilo da fruta seja comercializado a R$79,90 (+220%). “O pessoal compra menos, mas continuam comprando”, relata.

Para a economista Mafalda Valente, professora da Faculdade Promove, a tendência é que a demanda represada pelas aglomerações familiares sustente o consumo nesta reta final do ano. “Provavelmente, a queda nas compras deve ser pequena. O brasileiro tem o costume de usar o 13º salário para garantir o Natal. Mesmo com os aumentos, a tendência é que ele tente driblar, substituir algum produto, diminuir algum presente, mas deve continuar comprando os itens que sempre estão presentes na ceia de Natal”, avalia.

‘Castanhas, nozes, bacalhau: tudo é dolarizado’, diz comerciante

Com 35 anos de experiência em vendas na Ananda Empório, no Mercado Central, em Belo Horizonte, o gerente Eduardo Campos relata que tem tido dificuldade este ano para encontrar alguns itens. “Esse ano, os preços tiveram uma alavancada relacionada às altas do dólar e petróleo. Castanhas, nozes, damasco, bacalhau, azeite: tudo é dolarizado”, conta ele. No local, o quilo do bacalhau é vendido, em média, a R$149. No ano passado, o preço médio era R$114 (+30%).

Mesmo com as altas, o veterano aposta em boas vendas para as ceias natalinas deste ano. “Dois anos atrás não tivemos nada de [MOVIMENTO]no Dia dos Pais, Páscoa, Natal e Revéillon. Pelo que estou sentindo, as pessoas vão se reunir para um Natal de verdade, e vamos conseguir voltar ao patamar normal com um aumento de 10% aproximadamente”, estima ele.

Quando perguntados sobre as reações dos clientes aos reajustes, os comerciantes com quem a reportagem conversou responderam que o consumidor preza pela tradição e costuma entender a majoração. Mas isso não é uma unanimidade. 

Escolhendo bacalhau, a professora aposentada Maria do Carmo Magalhães relatou mudanças de preço repentinas. “Uma ou duas vezes por ano, a gente gosta de fazer, mas o quilo do bacalhau do porto está acima de R$100. Além de caro, muda rápido, porque estive aqui semana passada e estava mais barato”, afirma. 

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