Decisão chinesa é primeiro passo para derrubar veto à carne brasileira

Agência Brasil
23/11/2021 às 13:51.
Atualizado em 05/12/2021 às 06:18
 (José Cruz/ Agência Brasil)

(José Cruz/ Agência Brasil)

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, em conversa com jornalistas nesta terça-feira (23), diz que a decisão das autoridades alfandegárias da China de liberar a entrada no país da carne bovina brasileira que tenha recebido o aval sanitário chinês antes de 4 de setembro é o “primeiro passo” para a retomada integral das nossas exportações do produto.

“O próximo passo é liberarmos a suspensão da carne brasileira daqui para frente. Então, estamos em andamento neste processo e espero que isto aconteça ainda no próximo mês”, declara Tereza aos jornalistas que aguardavam na entrada do ministério, em Brasília.

Mais cedo, a China anunciou que aceitará os pedidos de importação da carne bovina brasileira que tenham obtido os necessários certificados sanitários antes de 4 de setembro. A decisão permite que parte da carga retida em portos chineses devido à suspeita – já descartada – de contaminação do produto comece a ser liberada pela alfândega.

O Brasil suspendeu as exportações de carne bovina para a China em 4 de setembro, após detectar dois casos atípicos de doença da vaca louca. Os episódios foram considerados "atípicos" por serem de um tipo espontâneo da doença, não transmitido entre o rebanho.

De acordo com a Organização Internacional de Saúde Animal (OIE, na sigla em inglês), casos "atípicos" não oferecem riscos à saúde humana e animal e, em geral, são detectados em bovinos mais velhos. Ainda assim, o produto que importadores chineses já tinham adquirido e que já estava embarcado, a caminho da China, continuou sendo exportado, ficando retido na alfândega chinesa.

“Foram casos atípicos. Tanto é que a autoridade mundial (a OIE) concluiu o caso rapidamente, liberando o Brasil. Todos os países-membros da OIE liberaram a carne brasileira, com exceção da China, que tem um protocolo diferente, razão pela qual o Brasil teve que suspender suas exportações. Mas só a China teve este problema, que está sendo superado”, comenta a ministra, garantindo não haver motivos para os consumidores brasileiros ou internacionais se preocuparem.

“A decisão chinesa é fruto de um processo técnico que caminhou passo a passo”, acrescenta Tereza Cristina ao admitir que as negociações demoraram mais que ela esperava inicialmente. “Mas isto já alivia um pouco os exportadores brasileiros, pois havia muitos contêineres que já estavam embarcados, em alto-mar, ou já em alguns portos da própria China (quando o país decidiu interromper as importações)”, diz a ministra, alegando que a situação gerou contratempos e prejuízos à pecuária brasileira, mas que o setor produtivo foi capaz de encontrar alternativas.

“Não temos este prejuízo (calculado), mas houve sim um prejuízo. O preço da arroba caiu e muitas indústrias tiveram que dar férias (para seus funcionários). Realmente, houve um prejuízo inicial, mas, agora, a arroba do boi já voltou a subir, pois houve aberturas para outros mercados. O setor se movimentou rapidamente e passou a exportar mais, para outros destinos. As plantas industriais que estavam habilitadas a exportar para os EUA, por exemplo, exportaram mais – motivando uma reação (contrária) dos produtores norte-americanos", completa.

Tereza Cristina acrescenta que a Rússia anunciou uma nova cota global de importações. "Não é uma cota só para o Brasil, mas a qual o país poderá ter acesso e, com certeza, será um acesso grande, pois somos um grande exportador e já temos plantas (industriais) habilitadas (para vender para a Rússia). Então, o setor mostrou que é forte e vai continuar exportando”.

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