A pandemia da Covid-19 e o desaquecimento econômico que ela provocou foram responsáveis, em abril, pela maior queda da inflação dos últimos 22 anos. Divulgado ontem pelo IBGE, o IPCA do mês recuou 0,31% em relação a março. Desde o início do Plano Real, em 1994, a deflação de agora só perde para a de agosto de 1998 (-0,51%).

Na Região Metropolitana de BH, ainda segundo o IBGE, o IPCA de abril caiu 0,21% e foi o 8º menor entre as 16 áreas pesquisadas. O que o puxou para baixo, em todo o país, foram itens como transportes, artigos de residência, habitação, saúde e cuidados e despesas pessoais e comunicação.

Destaque em tais grupos é dado aos combustíveis, que começaram a despencar no início do ano, com a crise mundial do petróleo, e seguiram ladeira abaixo com a redução de demanda advinda da pandemia. Na capital, o preç0 médio do litro da gasolina caiu7,56% em abril e o do etanol, 11,83%.

Na mesa

Se a chegada da pandemia fez com que uma série de itens e serviços ficassem mais baratos, em razão da baixa demanda, por outro lado os alimentos, cada vez mais consumidos em casa em um cenário de distanciamento social, seguem na direção contrária. 

Na RMBH, informa o IBGE, o grupo “Alimentação e bebidas” registrou alta de 1,46% em abril, influenciada por produtos como cebola (44,93%), mamão (28,42%), alho (19,16%), ovo de galinha (10,37%) e feijão carioca (10,06%). No subgrupo “Alimentação fora do domicílio” (1,22% de alta), o destaque foi o aumento no item “lanches”, que compreende o delivery (3,85%). 

Contudo, o fenômeno da subida de preços da alimentação – verificado por mineiros e brasileiros a cada ida aos supermercados –, pode ser considerado normal nas atuais circunstâncias, segundo o economista Eduardo Coutinho, professor e coordenador do Ibmec em Minas. 

“Alimentos e bebidas, que compõem um amplo conjunto de preços medidos no cálculo da inflação, tiveram alta em razão da maior demanda em abril. Com a pandemia, há maior consumo desses produtos em casa”, diz ele. “Mas a tendência é que, no geral, o IPCA siga em baixa nos próximos meses, com deflação ou uma inflação bem pequena”, completou.