A desaceleração do faturamento do setor de serviços em junho decorreu, principalmente, da queda da demanda das famílias e não da de empresas. A avaliação é do economista da RC Consultores, Marcel Caparoz, ao avaliar a alta nominal de 2,1% no faturamento do setor no sexto mês do ano ante igual mês de 2014, conforme informou há pouco o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Os serviços prestados às famílias apresentam desaceleração forte nos últimos três meses", avaliou. De acordo com Caparoz, em janeiro, o avanço nominal do faturamento dos serviços contratados pelas famílias estava em 8,9% e caiu para 0% em junho, na comparação com iguais meses de 2014.

Outro fato que corrobora a análise, destaca Caparoz, é a alta anual de 7,7% em junho na receita dos serviços administrativos e complementares, prestados principalmente a empresas. "No ano passado, a crise era mais aguda nas empresas que nas famílias. Agora, as empresas já ajustaram processos, produção e já fizeram a redução da demanda", afirmou, apontando o que a fraca base comparativa de 2014 explica o avanço nominal desses serviços em junho de 2015.

Para o economista da RC Consultores, a tendência é de que este movimento continue, com o encolhimento da renda das famílias comprometendo ainda mais o setor de serviços. "O impacto forte das famílias tende a continuar afetando o resultado geral do índice porque não tem perspectiva no médio prazo de recuperação do mercado de trabalho", comentou Caparoz. Segundo ele, pesam para este movimento os juros altos, a inflação pressionando os salários e o avanço do desemprego, que evidencia o risco de as famílias perderem renda e acaba por inibir o consumo.

Outro destaque apontado pelo economista é a diminuição no volume dos serviços contratados, uma vez que houve queda na receita, mas houve variação negativa de preços não na mesma magnitude. "O volume apresentou variação de -5,4% em junho de 2015 na comparação com o mesmo mês do ano passado", diz relatório da RC Consultores, com o cálculo deflacionado do indicador da PMS pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de Serviços. De acordo com a RC Consultores, já são 16 meses consecutivos de queda do volume de serviços prestados.

O texto destaca ainda os segmentos que registraram queda mais forte nos volumes contratados: os serviços de informação e comunicação, com retração de 8,9%, seguido pelos serviços às famílias, com queda de 7,3%, na mesma base comparativa. "A preocupação é porque o volume negativo acaba gerando uma necessidade menor de mão-de-obra, de geração de emprego e de geração de impostos", explicou Caparoz.