Na contramão do que aconteceu em 24 dos 27 estados brasileiros, Minas Gerais registrou queda no índice de desemprego no primeiro trimestre de 2019 se comparado ao mesmo período do ano passado. Enquanto em 2018 a taxa em Minas era de 12,7% nos três primeiros meses, neste ano houve queda de 1,5 ponto percentual, registrando 11,2%.

Os dados são da PNAD Trimestral Contínua, divulgada nesta quinta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além de Minas, Pernambuco e Ceará também registraram desemprego menor em relação ao primeiro trimestre de 2018. No Brasil, a taxa também caiu em relação ao mesmo período do ano passado: 12,7%, um recuo de 1,1 ponto percentual.

Apesar dos números otimistas na comparação entre os mesmos períodos de 2018 e 2019, a taxa de  desemprego em Minas aumentou em relação ao último trimestre do ano passado, quando foi de 9,7%. O aumento em relação ao último relatório divulgado também aparece no índice que diz respeito ao Brasil, que passou de 11,6% para 12,7%.

O coordenador da PNAD Contínua em Minas Gerais, Gustavo Fontes, pondera que, embora a comparação com os números do trimestre anterior seja válida e complemente a montagem do cenário, deve-se considerar que é esperado que haja aumento da taxa de desemprego entre o fim de um ano e o início do outro graças ao efeito sazonal. "No fim do ano sempre há um aumento no número de contratações temporárias, que geralmente são desfeitas quando o período acaba, e em 2018 tivemos ainda as eleições, o que aumentou o número de postos de emprego temporários", explicou.

Fontes ainda acrescentou que entre o primeiro trimestre de 2017 e o mesmo período em  2018 também foi observada a diminuição da taxa de desemprego e que essa pode ser uma tendência para os próximos anos.

Análise

Segundo o economista da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Sérgio Guerra, somente em março foram gerados 5163 postos de trabalho, dentre os quais 1740 foram na indústria. "Foi uma surpresa agradável para nós porque a perspectiva era de aumento no desemprego por conta da paralisação parcial das atividades da mineração", afirmou.

Embora o primeiro balanço do ano seja positivo, Guerra ponderou que a expectativa para o ano de 2019 é de que o desemprego aumente no Estado devido às paralisações nas atividades minerárias. De acordo com o especialista, a repercussão das paralisações parciais deve ser sentida por diversos setores e os impactos mais significativos devem ser no comércio, uma vez que o desemprego diminui o consumo.

A solução, nas palavras de Guerra, está em "investimentos em infraestrutura e atividades que gerem empregos, o que compensaria a falta dos postos gerados pela mineração".