Entre os proprietários mineiros de pequenos negócios, sobretudo dos setores de comércio e serviços – campeões em utilização do BEm, no ano passado –, a expectativa pela reedição do programa que mantém empregos e renda era grande. Principalmente em razão do cenário vivido no Estado e na capital, de explosão de números da pandemia e de novas restrições a atividades econômicas, entre fevereiro e abril.

Com o anúncio da MP 1045, muitos até procuraram saber em detalhes o que precisariam fazer para aderir novamente à iniciativa e submeter seus empregados às reduções e suspensões contratuais, mas preferiram aguardar mais um pouco para formalizar eventuais novos acordos. 

“No ano passado, utilizei a MP 936 e isso foi muito importante para que equilibrássemos as contas da loja. Agora, achei excelente essa reedição, só que, como reabrimos após uma longa paralisação do comércio em BH e não sabemos o que virá pela frente, por causa da pandemia, preferimos esperar para saber se vamos fazer aquilo de novo”, diz Letícia Novais, dona da Let’s Sports, na região Oeste da capital.

A também pequena empresária Isabella Garcia, que dirige, com a família, o restaurante Saboreando, além de duas lanchonetes de mesmo nome, no Centro da cidade, está no mesmo barco. “A gente usou a MP 936 assim que foi editada, no ano passado, e colocamos a maioria dos funcionários em redução ou suspensão de contrato”, lembra ela, que tinha, então, mais de 30 colaboradores.

“Hoje, embora tenhamos ficado felizes com a reedição e tenhamos interesse em adotá-la, vamos ver como as coisas caminham, se haverá mais um fechamento na capital, antes de tomar a decisão”, ressalta.

Isabella queixa-se também da demora do governo federal em renovar a MP. Sem a MP e com o abre e fecha que se repetiu este ano, o Saboreando teve de demitir gente e, atualmente, conta com oito colaboradores (25% do que tinha antes da pandemia).

Suporte emocional

Entidades como o Sebrae têm sido fundamentais para ajudar donos de micro e pequenos negócios, como Letícia e Isabella, a driblar a crise, dentro do possível. Segundo o presidente da entidade em Minas, Afonso Rocha, o trabalho, basicamente, se divide hoje em três frentes. 

A primeira é mostrar caminhos quanto a questões como acesso a crédito, gestão e redução de custos. A segunda é intermediar junto ao poder público benefícios, como os fiscais, aos micro e pequenos, dando-lhes fôlego. “E outra parte forte da nossa orientação no dia a dia tem sido para dar suporte não apenas técnico, mas emocional aos empreendedores”, diz. 

Leia também:

Efeitos de medida para preservar empregos devem atingir metade dos afetados em 2020

Donos de pequenos negócios elogiam MP de reduções salariais e suspensões, mas vão aguardar