A economia mineira completou dois trimestres seguidos de estagnação até junho, conforme dados divulgados na sexta-feira (6) pela Fundação João Pinheiro (FJP). O Produto Interno Bruto (PIB) – bens e serviços produzidos – de Minas Gerais recuou 0,1% no segundo trimestre de 2013, na comparação com os três meses imediatamente anteriores, quando houve recuo de 0,2%. O “pibinho” do segundo trimestre foi reflexo da acentuada queda na safra e nos preços do café, o que jogou o setor agropecuário para baixo. 
 
“Apesar dos dois resultados negativos consecutivos do PIB, na prática Minas vive uma situação de estagnação”, analisa o especialista em políticas públicas e gestão governamental e pesquisador da FJP, Thiago Rafael Corrêa de Almeida. 
 
Os dados mineiros contrastam com os do Brasil. Enquanto em Minas o PIB decresceu, a economia brasileira avançou 1,5% no segundo trimestre de 2013 em relação ao trimestre anterior. A agropecuária mineira, principal motivo da estagnação, despencou 11,1% no período, ante crescimento de 3,9% na média nacional. 
 
A razão para a retração do setor em Minas está principalmente no café, que responde por 25% da renda bruta da agropecuária mineira. Segundo o coordenador da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Pierre Vilela, a safra do grão neste ano em território mineiro será 6% menor, em função do seu ciclo bianual. Outro fator que afeta diretamente o resultado final são os preços 25% menores. Hoje, a saca do café de boa qualidade é vendida, em média, entre R$ 280 e R$ 290. No ano passado, o valor chegava a R$ 400. 
 
“Isso é fruto da conjuntura internacional. A crise mundial arrefeceu a demanda em países emergentes e na Europa, conhecidos como grandes consumidores. Além disso, a valorização da moeda norte-americana levou a uma desvalorização das commodities em dólar”, explica Vilela. 
 
Diferentemente do Brasil, Minas ainda não teve a seu favor uma super safra de grãos, como milho e feijão. “No país, foram colhidas 20 milhões de toneladas a mais em relação ao ano passado”, diz Vilela, que acredita em números positivos no setor nos próximos meses para Minas, embora insuficientes para engordar o PIB.