O governo federal avaliava, ainda ontem, se iria ou não esticar o auxílio emergencial (“coronavoucher”) para parte da população, em razão da pandemia, até o fim do ano. O próprio presidente Jair Bolsonaro disse que a proposta era estudada. E ainda ponderou que o valor mensal de R$ 600 deveria ser reduzido para evitar rombos maiores nas contas públicas. 

Indicadores que apontam aumento do desemprego e das dificuldades econômicas dos brasileiros, no entanto, não deixam dúvidas sobre a necessidade de manutenção dos benefícios. Ontem, o IBGE divulgou que, entre maio e julho, 4 milhões de brasileiros viram-se obrigados a solicitar empréstimos – em bancos (75,7%) ou junto a parentes (23,6%) – para segurar as contas na crise. Do total, 81% (3,3 milhões) tiveram sucesso, mas 762 mil (19%) ficaram a ver navios. 

Além disso, a maioria disse ganhar menos de um salário mínimo, o que indica que pode ser beneficiária do auxílio emergencial. “Entre os que solicitaram e não conseguiram empréstimo, 59,2% pertencem às duas classes de rendimento mais baixas”, disse a gerente da pesquisa, Maria Lúcia Vieira.

Ainda de acordo com o IBGE, o número de desempregados no país cresceu nada menos do que 20,9% entre maio e julho. O total de desocupados chegou a 12,2 milhões, ou 2,1 milhões a mais, sendo que, em Minas, a situação também se agravou. No Estado, a taxa de desemprego alcançou 12,2% da população economicamente ativa (contra 10,4%, três meses antes), o que significou acréscimo de 380 mil desocupados em julho frente a maio.

Ainda em Minas, o IBGE estimou que quatro (41%) a cada dez domicílios receberam auxílios governamentais em julho para fazer frente à queda de renda provocada pela pandemia. Isso quer dizer que, em praticamente 3 milhões de lares do Estado, o dinheiro emergencial evitou situações ainda piores do que as vividas. 

BH

Para completar o cenário mais que “favorável” à eventual manutenção do “coronavoucher”, pesquisa divulgada pela Fecomércio-MG mostrou que, em Belo Horizonte, em julho, oito (81%) a cada dez famílias estavam endividadas. Antes da pandemia, o percentual era de cerca de 70%.

Também chamaram a atenção o alto grau de inadimplência – 41,6% dos consumidores – e o fato de metade dos belo-horizontinos ter dito que não conseguiria quitar os débitos nos próximos meses.

Para a economista Bárbara Guimarães, da Fecomércio-MG, embora o número de endividados tenha sido alto, o indicador trouxe pontos positivos, em relação ao consumo. “Apesar das adversidades provocadas pela pandemia do novo coronavírus, as famílias continuam consumindo”, afirmou ela. 

“No entanto, o nível de inadimplência também seguiu essa trajetória, o que preocupa, principalmente pelo achatamento da renda familiar, uma consequência dos efeitos da paralisação das atividades econômicas e do aumento do desemprego na capital”, completou.