Em alta na pandemia, venda de imóveis atrai novos corretores e exige rápida adaptação ao digital

Leíse Costa
leise.costa@hojeemdia.com.br
21/01/2022 às 19:32.
Atualizado em 26/01/2022 às 00:12
 (Lucas Prates)

(Lucas Prates)

O surgimento de um vírus que confinou a população dentro de casa fez com que as pessoas repensassem sobre suas moradias. Enquanto elas refletiam sobre como e onde morar diante da nova realidade, o mercado imobiliário aquecia. Na estimativa do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Minas Gerais (Creci-MG), cerca de 5.</CW>[TEXTO]aAlém disso, 603 novas imobiliárias[/TEXTO] surgiram no período. A entidade estima que, em Minas, o mercado imobiliário cresceu até 30% no ano passado, um incremento de 15% em relação à média de crescimento dos últimos cinco anos.

Considerada uma modalidade segura de investimento em tempos de economia instável, o setor imobiliário também se beneficiou de uma taxa Selic de 2% no início de 2021 e surfou no potencial de alcance das ferramentas digitais para atender o público. “As pessoas entenderam a necessidade de morar melhor e muitos colocaram planos em prática. Na ponta, o corretor usou várias ferramentas, como videochamadas, redes sociais, plataformas e blogs pessoais, para se lançar e atender a essa demanda”, explica Alexandre Rennó, presidente do Creci-MG.

Presente em nove estados, a rede Netimóveis, criada em Belo Horizonte, calcula que as transações de vendas na plataforma cresceram 35% no Brasil e 38% em Minas no último ano, enquanto as locações subiram 15%. “Parte significativa do crescimento vem de uma demanda aumentada por espaços maiores, condomínios e casas de campo”, afirma Ariano Cavalcanti, presidente da Netimóveis Brasil. Segundo Ariano, a estratégia digital foi decisiva. “Hoje, a batalha é travada nesse campo”, resume.

Com 30 anos de mercado, Leirson Cunha, proprietário da imobiliária Cia Mineira, no Sagrada Família, região leste da capital, testemunhou a carteira de imóveis, antes organizada em planilhas de computador, ser substituída pelos algoritmos das plataformas digitais. “Atualmente, assim que um cliente é cadastrado no banco, a inteligência do sistema conecta as condições de quem quer vender com o desejo do comprador, já filtrando a forma de negociação aceita por ambos. É imediato”, conta.

Em resposta à tendência, ele afirma ter investido R$ 50 mil no treinamento de 15 corretores, especialmente, em estratégias de performance digital. “Não aumentei a equipe, mas precisei realizar algumas trocas porque alguns não se adaptaram. Conseguimos alcançar um crescimento de 36% em relação a 2020, que já havíamos crescido 25%”, diz.

 O Brasil registrou aumento de quase 47 mil novos corretores de imóveis em todo o país no ano passado, segundo dados do Sistema Cofeci-Creci, que responde pela regulação da categoria. Mais de 2.000 novas imobiliárias também foram registradas.

Mercado de corretor

A expansão recorde no número de profissionais e empresas atuando na área se deu pelo bom resultado do mercado financeiro na pandemia e pelos ganhos que as transações imobiliárias podem gerar.

Para atuar como corretor de imóveis, é necessário ter registro no Creci-MG, o que exige curso de Técnico em Transações Imobiliárias (TTI) ou superior de Gestão em Negócios Imobiliários. As formações variam entre 9 meses até 4 anos. Em relação ao faturamento, os corretores são autônomos e não existe uma tabela de comissão determinada pelo Conselho. Nada impede que um profissional cobre uma comissão de 10%. Mas, segundo o Creci-MG, a média de comissão praticada é de 5 a 6% . Com esse percentual, na venda de um imóvel de R$ 1 milhão, o corretor faturaria R$50mil. O segredo está na maturidade profissional. “Um corretor júnior, ativo e dedicado, ganha em média R$4.000. Mas, facilmente, um sênior alcança R$18 mil”, estima Ariano Cavalcanti, presidente da Netimóveis Brasil. 

Thiago Bomfim incorporou o Whatsapp, Instagram, Youtube e plataformas digitais na sua rotina como corretor de imóveis em Belo Horizonte. Ele relata que, na pandemia, visitas virtuais aos imóveis geraram bons resultados e a prática virou um hábito sem volta. Em relação às redes sociais, cada uma tem uma estratégia diferente. “Uso para mostrar uma oportunidade que acabou de entrar ou reduziu o preço; também procuro gerar conteúdo sobre expectativa dos próximos meses de mercado, se há mudança na política bancária a financiamento, por exemplo”, conta.

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