Os sucessivos aumentos no preço do gás de cozinha estão deixando cada vez mais apertadas as contas dos donos de restaurantes localizados na Grande BH, sobretudo os de menor porte. 

Com as margens de lucro encolhidas e convivendo com custos fixos e preços de insumos que não param de subir, alguns deles já reavaliam se é viável manter os negócios funcionando.

Situação se resume a margens de lucro encolhidas, custos fixos e preços de insumos cada vez mais altos e dificuldade de transferir isso ao consumidor, sob pena de prejudicar ainda mais o faturamento 

 

André Capetinga, dono de um estabelecimento que oferece comida caseira no bairro Prado, região Oeste da capital, conta que vende, em média. 120 refeições diárias, sempre ao estilo prato feito. Mesmo com os últimos aumentos do arroz, do feijão e da carne, segurou o preço do PF a R$ 14,90, mas viu a margem de lucro desabar. 

“Já não é possível manter funcionários. Quem está trabalhando aqui é a família. O que percebo é que não dá para repassar aos clientes, mas, ao mesmo tempo, com tudo ficando mais caro, não dá também para trabalhar somente para pagar as contas do restaurante. É preciso levar um pouco para casa”, lamenta o comerciante, externando o dilema entre seguir no barco ou desistir do restaurante.

Situação parecida vive Stela Fernanda Gracioso, dona de um self-service de comida mineira em Betim, na Grande BH. Trabalhando no esquema “sem balança”, ela teve que aumentar o preço da refeição duas vezes, só este ano – saindo de R$ 12,90 para R$ 15,90. 

Consumindo quatro botijões de gás de 13 kg por semana, a empresária já prevê novo aumento logo que o reajuste repassado às distribuidoras nessa segunda-feira chegar aos revendedores. 

“Já demiti dois funcionários, porque, com o preço maior, vi meu faturamento cair em pelo menos 10%. Com mais esse aumento, não vai dar para continuar com o preço atual, vou ser obrigada a aumentar de novo”, avisa.

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