Em meio à maior crise econômica do século, a receita de separar as contas da empresa das despesas pessoais e familiares tem sido uma tarefa cada vez mais difícil para quem está à frente do próprio negócio. 

Com faturamentos menores e boletos acumulados, empreendedores acabam comprometendo a saúde financeira do ganha-pão para honrar dívidas domésticas. 

Para a analista do Sebrae-Minas Gabriela Martinez, é necessário ter muito critério e disciplina para fazer as retiradas da empresa. “Sabemos que nesse contexto de pandemia, fica mais complicado não fazer retiradas maiores, porque existem as necessidades de casa que precisam ser supridas”, diz ela. 

“Mas é preciso anotar tudo muito certinho, ter o máximo de controle possível para não gerar dificuldades no fluxo de caixa da empresa e provocar um problema que pode ser fatal para a fonte de renda da pessoa”, explica.

O empresário Marcos Vinícius Chiari, de 39 anos, dono de uma padaria no Centro de BH havia cinco anos, perdeu 75% do faturamento após o início da pandemia e isso, na opinião dele, foi o grande motivo do naufrágio do sonho da família. Sem ter como pagar os funcionários e ainda as contas em casa, fechou as portas do empreendimento. 

“Tentamos resistir porque achamos que isso não iria passar de outubro de 2020, mas não deu. Perdemos carros e hoje tenho que morar com a minha mãe, cheio de dívidas e contando com o apoio da família para me reerguer”, lamenta o empresário.

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