Além da geopolítica mundial, a tensão entre os Estados Unidos e o Irã, que ganhou novos capítulos na noite desta quinta-feira (2), pode impactar também o bolso dos mineiros. O preço do petróleo, que já está subindo no mercado global, deve ser alterado também no mercado interno e subir nas bombas. Economistas indicam, contudo, que outros produtos também podem ficar mais caros, por tabela.

Como o Iraque, palco do ataque desta quinta-feira (2), é o segundo maior exportador da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), o mercado do combustível deve reagir de forma internacional, o que inclui os preços praticados nos postos em Minas Gerais. Mas o efeito não será tão imediato, dizem analistas.

Para o vice-presidente da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), Alberto Cattalini, apesar de já estar havendo alta nas bolsas em todo o mundo, a Petrobras deve esperar antes de repassar os preços novos aos distribuidores e ao consumidor. "Esta é uma estratégia que deve ser mantida, então o aumento de preços, se vier, virá não no início desta semana, mas mais para a frente, talvez daqui a uns 10 dias", explicou.

combustívelLitro da gasolina tem sido encontrado por até R$ 5,09 em Belo Horizonte, com alta impactada pelo dólar

O repasse, contudo, deve vir e atingir outros setores de consumo, como o de alimentos e, principalmente, o das companhias aéreas. "Quando há variação dos preços da gasolina, principalmente no mercado externo, o impacto no preço das passagens aéreas é grande, porque a maior parte dos custos dessas companhias é feita em dólar e com combustível importado", explicou.

Em Belo Horizonte, o preço do litro da gasolina comum está, em média, em R$ 4,672, conforme pesquisa do portal Mercado Mineiro. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse, nesta sexta (3), que haverá impacto no preço dos combustíveis, mas que conversará com o ministro da economia, Paulo Guedes, e rechaçou tabelar o produto.

“Que vai impactar, vai. Agora, vamos ver nosso limite aqui, porque já está alto, e se subir mais, complica. Mas não posso tabelar nada. Já fizemos esse tipo de política de tabelamento antes e não deu certo. Vou agora conversar com quem entende do assunto", afirmou.

Consumo

Contudo, como a gasolina é um bem que impacta toda a rede de abastecimento, economistas sugerem que os consumidores tenham cautela e programem os gastos, se preparando para possíveis altas, que só serão significativas se houver agravamento da crise.

"Não é momento de alerta, o impacto aqui será pequeno se se mantiver assim, mas se houver aumento da gasolina, teremos subida também em preços que já estão altos, como carne, verduras e legumes e vestuário, pois o frete ficará mais caro", comentou o economista Fausto Augusto Júnior, do Dieese-MG.

Apesar de todos os problemas globais, especialistas ouvidos pelo Hoje em Dia acreditam que as exportações e importações mineiras, a curto prazo, não devem ser impactadas. "É cedo para analisar impactos em Minas. Não se sabe onde a crise chegará, mas ela tem repercussões mais globais do que regionais. É hora de aguardar novos capítulos", explicou Júnior.

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