Escalado para anunciar a abertura de capital da área de seguros da Caixa Econômica Federal, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, acabou fazendo mais uma de suas declarações inusitadas, ao responder de imediato com um "com certeza" a uma pergunta sobre se a inflação iria ultrapassar o teto da meta em 2015.

Embora os economistas do mercado financeiro e o próprio Banco Central já mostrem previsões que apontam o IPCA bem acima do teto de 6,5%, o ministro acabou dando uma resposta com dupla interpretação sobre o cenário para a inflação, o que causou desconforto.

Na última pergunta da entrevista, Levy foi questionado se poderia comentar o resultado da inflação divulgado nesta quarta-feira (8), e se acreditava que o IPCA iria ficar acima do teto da meta em 2015.

"Com certeza", respondeu o ministro, com firmeza, para depois acrescentar: "O Banco Central tem se expressado com clareza em relação à importância do controle da inflação. Ele tem sido completo em suas explicações, o que nos dá total conforto".

A primeira impressão foi a de que Levy estava respondendo afirmativamente e de forma contundente que o IPCA estouraria a meta. Confrontado pelos jornalistas sobre o que queria dizer com a resposta, Levy esclareceu que "com certeza responderia a pergunta". "Com certeza, a respondi", brincou ele.

O IBGE divulgou hoje que o IPCA no primeiro trimestre acumula alta de 3,83% e de 8,13% em 12 meses. O BC projetou, no relatório trimestral de inflação, uma alta de 7,9% em 2015.

Desde que assumiu o governo, o ministro tem se envolvido em confusões, com declarações que, por vezes, desagradaram ao Palácio do Planalto. Na última delas, Levy afirmou em palestra a alunos da Universidade de Chicago que Dilma Rousseff nem sempre faz as coisas da maneira mais fácil e efetiva. A conversa com os alunos vazou para a imprensa e desagradou à presidente.