Com o aumento de quase 40% nos últimos sete meses, nas bombas de postos de combustíveis de BH, o etanol deixou de ser competitivo em relação à gasolina. Levantamentos feitos pelo site Mercado Mineiro apontam que o preço médio do litro saltou de R$ 3,213, em novembro, para R$ 4,471 (elevação de 39,15%), na semana passada. Com isso, o valor atingiu 77% do que é cobrado em média pelo litro da gasolina – que custava R$4,649 em novembro e hoje, sai em média por R$ 5,780 (+ 24,3%).

O preço cada vez mais alto e pouco atraente do biocombustível já faz com que motoristas de táxi e de aplicativos de transporte de passageiros da capital deixem de vê-lo como opção de economia e optem pela gasolina, saudosos também de novembro, quando o litro do etanol representava 69,1% do valor do derivado do petróleo (ou menos de 70%, limite da viabilidade econômica do primeiro, baseada em preço x consumo). 

Segundo o economista Feliciano Abreu, do Mercado Mineiro, o etanol acaba de alcançar o maior patamar do ano. 

“Estamos vendo uma escalada grande do preço do produto que ainda deve permanecer ao menos pelos próximos 15 dias, que o torna impraticável, principalmente para quem usa o carro como ferramenta de trabalho e circula longas distâncias, diariamente”, afirma ele.

Sem lucro

A elevação do custo do etanol traz impactos diretos no bolso daqueles que tiram o sustento dos automóveis. Motorista de aplicativo há dois anos, Luciano Francisco de Oliveira, de 51, diz que encher o tanque com etanol, hoje, consumiria mais de 30% dos ganhos diários. “Não dá mais. E o pior é que a única opção é a gasolina, que também não para de subir”, lamenta.

Já para Wagner Castro, de 39, as subidas constantes de preços dos combustíveis fazem com que a própria atividade profissional comece a perder sentido – devido aos baixos preços de tarifas repassados pelas operadoras (em média, o quilômetro rodado repassado ao profissional é de R$ 1,18). “Eu só sigo trabalhando com aplicativo porque não tenho outra opção. É a única forma de levar alguma coisa para casa”, destaca Wagner.

GNV

Já para o presidente do Clube dos Motoristas de Aplicativos de Minas Gerais, Werley Leite, uma solução para diminuir custos com combustíveis seria o incentivo ao uso do Gás Natural Veicular (GNV). A pouca oferta do combustível na capital mineira, aliado ao alto custo para a conversão do veículo, contudo, dificulta esse movimento.

“Nos estados em que o GNV tem incentivo e maior oferta, como Rio e São Paulo, grande parte das frotas o usam devido à maior autonomia de consumo. Infelizmente, precisamos vencer aqui essa barreira”, ressalta.

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