A associação da SunEdison, empresa californiana de energia renovável, com a Renova, subsidiária da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), pode trazer para o Estado uma fábrica de placas fotovoltaicas, reduzindo o valor do equipamento em solo mineiro. Uma planta de energia solar também é prevista pela companhia no Estado, desde que haja um leilão por parte do governo Federal. 
 
A fonte de energia será a mais competitiva do mercado em cinco anos, conforme analisa o superintendente de Comunicação e Relações Institucionais da Cemig, Luiz Fernando Rolla. “E a SunEdison possui tecnologia de ponta para fabricação de placas”, afirmou o executivo na quarta-feira (19), durante apresentação dos resultados da holding à imprensa.
 
A política agressiva de aquisições, ainda de acordo com Rolla, será mantida. A estatal possui, inclusive, interesse nas usinas térmicas que serão vendidas pela Petrobras com o objetivo de fazer caixa e cumprir o plano de investimentos da petrolífera. Participar dos leilões que aparecerem também está nos planos da companhia.
 
Eletrointensivas
 
Enquanto a indústria fotovoltaica comemora a possibilidade de um grande player em Minas, o parque eletrointensivo mineiro pode estar com os dias contados. De acordo com o executivo, apenas a renovação das concessões de Miranda, Jaguara e São Simão pode fazer com que o contrato de fornecimento com as companhias de ferroligas e outras de forte consumo energético sejam renovados. 
 
Pelo menos 53 fornos foram desligados no Estado. Dos oito mil postos de trabalho que eram gerados pelo setor em Minas, pelo menos quatro mil já foram encerrados.
 
A Cemig briga na Justiça para permanecer com as três usinas que, juntas, respondem por 45% da geração da companhia. No entanto, a estatal está em desvantagem na disputa. Em 24 de junho, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a energética não tem o direito de explorar Jaguara por mais 20 anos, conforme solicitava a Cemig. A exploração de São Simão, que estava vinculada a Jaguara, também foi suspensa pelo STJ.
 
Há algum tempo, o presidente da estatal, Mauro Borges, e o governador do Estado, Fernando Pimentel, estão em negociação direta com o governo Federal com o objetivo de encontrar uma alternativa viável para que as três usinas permaneçam sob o guarda-chuvas da Cemig. 
 
Quando a Medida Provisória (MP) 579, convertida na Lei 12.873, foi instarada, em 2011, permitindo a renovação antecipada das usinas mediante redução da tarifa, a Cemig abriu mão de 18 usinas. Destas, 12 irão a leilão em 30 de outubro. 
 
Em princípio, cogitou-se que a Cemig participaria do leilão, desde que ela pudesse ficar com Miranda, Jaguara e São Simão. Como as hidrelétricas são empreendimentos únicos e ganha o leilão quem oferecer a menor tarifa, dificilmente alguma outra empresa conseguiria fazer um lance inferior ao da mineira.