“Na encosta, brota do chão um vapor de enxofre, com estúrdio barulhão, o gado foge de lá”. O que Guimarães Rosa testemunhou no sertão de Minas e relatou na obra “Grande Sertão: Veredas” foi confirmado. Sondas perfuraram o solo e encontraram gás natural na Bacia do São Francisco, nas regiões Central e Norte do Estado. O que desafia as empresas e o governo, agora, é tirar o gás do subsolo e torná-lo comercial. Um pulo que custa bilhões de reais em investimentos, uma política industrial de fomento robusta e uma estrutura regulatória transparente.
 
Após a confirmação de que existe gás, e em abundância, especialistas apontam que o próximo passo para Minas confirmar o título de “Sibéria do Sertão” reside em como distribuir o gás.
 
“O gás só tem valor quando chega ao ponto de consumo”, aponta o especialista em petróleo e gás e ex-gerente jurídico da Petrobras Internacional Marcelo Mello.
 
É um passo que exige o esforço de uma longa caminhada. São basicamente duas formas de distribuição. Ou se constrói uma usina termelétrica ou se amplia a rede de gasodutos. As alternativas, além de exigirem aportes bilionários, esbarram na regulamentação do setor.
 
Gasoduto ou térmica

A distribuição do gás natural via gasodutos ocorre por meio de monopólio estatal. A construção de uma termelétrica depende de licitação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Em ambos os casos, a bola está com o governo.
 
“A forma de distribuição tem que ser definida pelo governo porque deve fazer parte de uma política industrial”, aponta o advogado especialista em petróleo e gás, Cláudio Pinho.

“O operador dos blocos pode até fazer o investimento na distribuição (no caso da opção por uma térmica), mas primeiro precisa saber como vai transportar seu produto, e essa decisão tem de ser tomada agora”, afirma Pinho.

Nem a iniciativa privada nem o governo trabalham, hoje, com possibilidade do investimento em sua contabilidade, o que mantém a exploração do gás de Minas como economicamente inviável.
 
“Se o governo ou as empresas farão o investimento, ainda depende do potencial”, disse o subsecretário de Desenvolvimento Minero-Metalúrgico e Política Energética da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Paulo Sérgio Machado Ribeiro.  
 
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