De 2010 a 2012, a exportação de carne bovina e derivados para a China deu salto de 1.360%, saindo de US$ 5 milhões para US$ 73 milhões. As perspectivas, à época, eram consolidar o Brasil como importante fornecedor do alimento para o país, mas, em dezembro de 2012, um caso isolado de vaca louca, no Paraná, fechou as portas do país asiático para a carne brasileira. Com o anúncio, na última quinta-feira, de que o embargo foi suspenso, Minas Gerais vive a expectativa de que um dos nove frigoríficos a serem certificados internamente para fornecimento da carne seja do Estado. Oito frigoríficos já estão certificados, nenhum deles de Minas, e outros nove ainda serão.

As autoridades brasileiras retomaram os trabalhos visando fortalecer os embarques de carne para o gigante asiático. Mesmo em 2012, no auge das exportações de carne bovina brasileira à China, Minas tinha seu potencial limitado por não processar a carne nos limites do Estado, tendo que vender o boi em pé para outros estados com plantas frigoríficas certificadas. Assim, deixava de receber divisas com a exportação e de arrecadar tributos com o processamento da carne.

Este ano, como parte das tratativas para retomada do comércio bilateral de carne bovina, a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) inspecionou várias regiões do Estado e concedeu certificado de risco insignificante de vaca louca em terras mineiras.

“Para o Estado, a certificação de um frigorífico local seria muito importante, tendo em vista que está aqui o segundo maior rebanho bovino do país”, disse a coordenadora da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Aline de Freitas.

Ela ressalva que atingir o patamar de exportações de 2012 ainda demandará tempo, mas há condições internas de, inclusive, ampliar esse volume de exportação.

“As pesquisas mais recentes indicam que a demanda de carnes em geral na China deverá crescer de 30% a 35% em 2015. O Brasil, por ter um plantel muito grande, consegue suprir o mercado interno e exportar grande volume excedente”, afirmou Aline.

O governo brasileiro tem projeções otimistas e prevê que já em 2015 as exportações de carne bovina para a China sejam equivalentes a 20% de toda exportação do produto, que em 2013 foi de US$ 6,6 bilhões. Em 2012, a China importou US$ 255 milhões em carne bovina e em 2013 as compras foram de US$ 1,3 bilhão.

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) possui escritório na China e pode acelerar os acordos comerciais. O Brasil registrou outro caso atípico de vaca louca, no Mato Grosso, este ano. Por conta desse episódio, Irã e Peru suspenderam as compras de frigoríficos do Mato Grosso. A Arábia Saudita, em 2012, impôs embargo à carne bovina brasileira pelo mesmo caso que levou a China a colocar as barreiras agora retiradas. O governo saudita mantém a posição.

Construção de novos abatedouros

Existem, em Minas Gerais, frigoríficos certificados para exportação de carne bovina para diversos países, sendo os principais compradores Rússia e Venezuela. O governo estadual lançou, recentemente, o Programa de Regionalização de Frigoríficos de Minas Gerais (Profrig). O objetivo é construir 21 abatedouros certificados com investimentos em torno de R$ 4 milhões.

(Com agências)