A disparada de preços de alguns alimentos básicos, que tem assustado consumidores de todo o país, ajuda a explicar, ao menos em parte, o bom momento vivido pelo campo em Minas. Este ano, a expectativa para o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária do Estado é de superar R$ 82,8 bilhões. O montante equivale a uma expansão de 19,8% em relação a 2019. 
O indicador, que faz estimativa da geração de renda do meio rural, é calculado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a partir de dados do IBGE, da Conab) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP).

Mais da metade do faturamento mineiro (64%) veio das lavouras. O segmento deverá ter um incremento de 21,5%, alcançando cerca de R$ 52,8 bilhões frente a 2019. Nesse contexto, os principais impulsos vêm do café (51,5%), da soja (37,4%), do milho (24,0%), do feijão (15,4%), da laranja (1,4%), do trigo (27,3%), da mandioca (14,1%) e do amendoim (62,2%).

O café representa, sozinho, 35% do faturamento agrícola do VBP neste ano com uma receita que deve alcançar R$ 18,5 bilhões. 
Outro fator que também favoreceu o desempenho positivo do VBP, além dos preços praticados no mercado – pressionados por questões como aumento do consumo, durante a pandemia, e o “coronavoucher” pago pelo governo federal – foram os bons resultados na produção de grãos e dos produtos mandioca e laranja.

Pecuária

A previsão de crescimento para a pecuária é de 16,8%, com receita estimada em quase R$ 30 bilhões. Os destaques foram para bovinos, ovos e leite, com os respectivos crescimentos de 20,2%, 11,0% e 0,1%.

Houve, também, crescimento nas exportações de carne bovina em Minas Gerais com valorização do preço no mercado interno. O valor do leite, da mesma forma, registrou altas devido à queda na oferta motivada, sobretudo, pelo período de entressafra e pelo acréscimo na demanda.

“Analisando o retrato referente a agosto, confirmamos a perspectiva de aumento do crescimento em comparação como ano anterior. Isso é resultado do investimento que vem sendo feito e traz como retorno um aumento significativo de produção e produtividade”, afirma o superintendente de Inovação e Economia Agropecuária da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Carlos Eduardo Bovo.

*Com Agência Minas