Antenados à demanda da comunidade, pequenos empreendedores do Aglomerado da Serra, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, estão correndo atrás da formalização dos negócios. 
 
É o caso do cabeleireiro Argemiro Antunes Dias, que há dois meses tornou-se empreendedor individual e passou a ter registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ).
 
“Trabalho nesse ramo há 12 anos, no mesmo lugar, com uma clientela fiel. Mas a formalidade é tudo de bom, traz mais segurança e permite que eu invista cada vez mais para atender melhor às pessoas”, afirma Dias.
 
A guinada no negócio teve o auxílio de agentes do Sebrae Minas, que orientam empreendedores do aglomerado a sair da informalidade. Ontem, o programa “Sebrae em Ação” promoveu uma série de palestras e oficinas na região.
 
“A movimentação econômica aqui dentro é muito grande, mas a maioria ainda é carente de orientações e consultoria”, diz a analista do Sebrae Minas Márcia Valéria Cota Machado.
 
Expectativa
 
A possibilidade de ser dono do próprio negócio e crescer profissionalmente é o que motiva os empreendedores locais. Há quatro anos, Isaías Lopes Rodrigues vende “quentinhas” nas ruas do Centro de Belo Horizonte, mas, até o final do mês, seu primeiro restaurante será inaugurado na Serra.
 
“Venho observando as pessoas e aprendendo o que devo fazer. Cortei todos os meus gastos desnecessários e, agora, vou abrir meu estabelecimento sem dever nada a ninguém”, afirma.
 
Já o casal Clara Oliveira e Edson dos Santos partiu de uma observação despretensiosa para o projeto de um bufê de festas infantis. “Tem gente que acha que em aglomerados as pessoas não fazem festas, mas as daqui são até mais divertidas, só que faltam espaço e serviço adequados, por isso, decidimos abrir nosso negócio aqui”, diz Clara.
 
De acordo com Márcia Machado, a expectativa é a de que o “Sebrae em Ação”, que desde ontem promove uma série de palestras, oficinas e consultorias gratuitas aos empreendedores e interessados em abrir o próprio negócio, termine hoje com a a capacitação de 500 empreendedores individuais no Aglomerado.
 
“O programa busca levar a essas pessoas o enquadramento de seus negócios. Ter um CNPJ abre portas e permite, inclusive, o acesso ao sistema previdenciário”, afirma a analista.