O abate de bovinos em Minas Gerais em 2015 voltou a patamares inferiores ao de 2013, atingindo 2,206 milhões de animais. A queda sobre o ano anterior é de 12,5%, superior à média nacional, que retraiu 8,6%. Para a Associação de Frigoríficos de Minas Gerais, Espírito Santo e Distrito Federal (Afrig), o menor volume de abates em Minas está relacionado a uma prática desleal de concorrência: a evasão de bovinos para São Paulo.

A saída do gado daqui para São Paulo, onde estão os maiores frigoríficos do país, sem pagamento de imposto (12% de ICMS), chegaria a 10 mil cabeças de gado por dia, de acordo com a entidade.

Ainda que Minas seja um dos maiores criadores de gado do país, a situação estaria ocasionando escassez de oferta de animais para os frigoríficos mineiros, que muitas vezes ficam ociosos e demitem e, em outras, “importam” bois de outros estados, uma prática que aumenta o custo de produção da carne, e por consequência, do preço do quilo do produto.

“A realidade é que falta matéria-prima (gado) e sem ela muitos frigoríficos estão demitindo porque diminuíram o ritmo. Outro impacto disso é a necessidade de comprar de outros estados, pagando imposto e tendo custo de produção mais caro, uma vez que o concorrente não pagou imposto”, observa o presidente da Afrig, Sílvio Silveira.

O diretor do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual (Sindifisco-MG), Wertson Brasil, diz que o problema da evasão é agravado pela falta de postos fixos de fiscalização, que desde 2010 foram reduzidos a praticamente zero, privilegiando a fiscalização eletrônica.

“A presença física da fiscalização é inibidora de práticas como essa, mas outras ferramentas como o controle do rebanho por chip também são viáveis e devem ser usadas”, afirmou. A Secretaria da Fazenda informou, em nota, que as fiscalizações vêm sendo feitas regularmente pelos auditores da Receita.

Exportação

O setor frigorífico confia nas exportações em 2016, sobretudo com a abertura deste mercado com credenciamento de frigoríficos brasileiros para negócios com a China. Em Minas, porém, o setor tem foco no mercado interno.

Segundo a Afrig, são 80 frigoríficos em Minas Gerais, que geram30 mil empregos diretos. Somente na Região Metropolitana de Belo Horizonte, 10 mil “casas” de carnes, entre supermercados e açougues, geram outros 80 mil postos de trabalho