O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, disse nesta quarta-feira (4), que o governo negocia com os bancos o alongamento do prazo de pagamento dos empréstimos feitos para socorrer o setor elétrico. Se a negociação for bem sucedida, há chance de que os reajustes ordinários das tarifas, que ocorrem todos os anos, sejam menores do que os projetados pelo mercado, que chegam a 50%.

"Temos de aguardar o resultado da negociação com o setor bancário e financeiro para saber o quanto será a redução do impacto financeiro daquele empréstimo do ano passado", afirmou. "Nenhum dos reajustes ultrapassou 40% até o momento."

O setor bancário emprestou R$ 17,8 bilhões em 2014 para que as distribuidoras pagassem os custos mais altos da produção de energia. O financiamento será quitado em dois anos, por meio de reajustes na conta de luz dos consumidores. O governo quer ampliar esse prazo para quatro anos com o objetivo de diluir os efeitos na tarifa de energia. Um novo empréstimo, de R$ 3,1 bilhões, ainda para bancar despesas de novembro e dezembro, tem previsão de ser fechado ainda neste mês.

Petrobras

O ministro disse não ter sido informado pela diretoria da Petrobras sobre a intenção da empresa de fazer uma captação de até US$ 19 bilhões no mercado financeiro em 2015. "Não tenho essa informação ainda. Não nos reunimos com a direção da Petrobras, mas nas próximas semanas nós teremos reuniões para que eles apresentem seus planos e programas para o ministério", afirmou.

Na terça-feira (3), o Conselho de Administração da Petrobras autorizou a companhia a captar até US$ 19 bilhões no mercado financeiro ainda neste ano. Na gestão anterior, da ex-presidente Graça Foster, a ideia era não recorrer a captações em 2015 porque o caixa era considerado condizente com o pagamento de dívidas com vencimento no ano.

Segundo fontes, porém, ao assumir a diretoria financeira no início do mês passado, Ivan Monteiro decidiu mudar os planos e recorrer ao mercado em 2015. A empresa teve sua nota rebaixada pela agência de classificação de risco Moody's na semana passada.