Um recente aporte bilionário feito pela Tesla, empresa comandada por Elon Musk – considerado o homem mais rico do mundo – no mercado de bitcoins (o dinheiro digital, descentralizado e que não necessita de terceiros para funcionar) causou uma disparada no preço do ativo em todo o mundo. Em apenas um dia, o valor da criptomoeda subiu 14%. Em uma semana, saiu de US$ 33.150 ( R$ 179 mil) para US$ 44 mil (R$ 236 mil). 

E a valorização vem em ritmo acelerado também nos últimos doze meses. Segundo levantamento feito pela consultoria Mercado Bitcoin – especialista na comercialização da moeda digital –, a valorização chegou a 524%. A elevação dos preços do ativo virtual tem relação não somente com o aporte da Tesla – que também pretende, em breve, aceitar o dinheiro virtual na negociação de carros elétricos –, mas pelos ruídos causados por outros grandes investimentos feitos na moeda.

Segundo o CEO da Mercado Bitcoin, Reinado Rabelo, as altas devem continuar, principalmente com “as evidências de que o mercado mundial passa por um nível de liquidez mundial jamais visto”. “É um movimento que não vai parar por aqui, até porque o pacote econômico que vai entrar em vigor em breve nos Estados Unidos vai turbinar ainda mais esse tipo de investimento”, destaca Rabelo.

Nunca se deve comprar toda a posição de uma vez; o mais adequado é ir adquirindo o ativo aos poucos e definir metas claras de preços – tanto os mais elevados quanto os mais baixos – para poder estimar os lucros

Mesma visão tem o especialista em finanças do Ibmec Gustavo Marques. Para ele, uma das principais características do mercado das criptomoedas é a volatilidade e a influência das mídias sociais para aumentar a especulação sobre as cotações. “Não precisa ter fundamento, basta apenas um ‘tweet’ (postagem na rede social Twitter) e pronto: o preço dispara. Esse tipo de ativo é basicamente alimentado por ruídos de informação”, ressalta Marques. 

Recompensa

A despeito das especulações, cada vez mais investidores incorporam bitcoins ao portfólio. É o caso do mineiro Froillan Moraes, que, com a chegada da pandemia e a queda dos juros, tornando menos atrativas as aplicações s tradicionais, e saiu à compra das criptomoedas. De março de 2020 para cá, Moraes aplicou mais de R$ 300 mil em bitcoins e disse não estar arrependido do movimento. “Fiz uma análise, percebi que tinha capital que poderia sofrer com um risco mais elevado e arrisquei. Até aqui, só ganhei. Tem muita elevação, muitas emoções envolvidas, mas, sendo bem orientado, é possível fazer esse tipo de investimento”, garante.

Especialistas recomendam análise de riscos antes de comprar

Investir em criptomoedas é negócio de altíssimo risco. Mesmo com o ganho extraordinário alcançado no último ano com tal ativo – 524%, de fevereiro de 2020 a fevereiro de 2021 –, quem pretende fazer aplicação precisa ter em mente que o risco de perder é tão grande como o de ganhar. 

O analista de finanças do Ibmec Gustavo Marques destaca que bitcoin é uma moeda “que não tem reserva de valor e nem lastros”. 

Além disso, o mercado de compra e venda não é regulado, o que traz ainda mais incertezas para a operação. Marques acredita que há três perfis de investidores nesse nicho: os que acreditam no poder transformacional das novas tecnologias trazem – como é o caso de Elon Musk –; os tomadores de risco puro – que veem tendência interessante para lucros e incorporam o bitcoin em seus portfólios; e os que são atraídos pelo efeito manada – normalmente, pessoas que não sabem dos riscos, influenciadas por altos ganhos de terceiros. 

“Este é o grande problema: muitas pessoas fazem investimentos assim achando que vão somente ter ganhos. Eles entram movidos por irracionalidade”, destaca Marques. Para o CEO do Mercado Bitcoin, Reinaldo Rabelo, quem está começando a investir nesse mercado deve ter cautela e fazer aportes separadamente. “Nunca se deve comprar toda a posição de uma vez”, explica.