RIO DE JANEIRO - O segundo dia da greve dos petroleiros segue sem grandes conflitos, registrando a adesão de mais profissionais e prometendo durar até pelo menos o dia do primeiro leilão do pré-sal, do campo gigante de Libra, na segunda-feira. Mesmo a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), que anunciava greve por apenas 24 horas, decidiu continuar o movimento e assim como a Federação Única dos Petroleiros (FUP) manterá o indicativo de braços cruzados pelo menos até o leilão. O prazo no entanto poderá ser estendido.
 
Além da luta contra o leilão do campo de Libra, os petroleiros estão em greve por um aumento salarial de 11,6%, contra proposta da Petrobras de ajuste de 7,68%, causas sociais, e repúdio à lei que está para ser votada no Congresso que estimula a terceirização, segundo a FUP.
 
Exército chinês 
 
O coordenador da FUP, José Antonio de Moraes, criticou hoje a decisão da presidente Dilma Rousseff de convocar o Exército para garantir o leilão. A partir de domingo, parte da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, já será fechada por soldados do Exército para garantir a chegada dos participantes.
 
"É um absurdo o governo brasileiro colocar o exército para garantir a entrega de Libra para os estrangeiros. Deveriam ter chamado logo o Exército chinês", ironizou, em referência ao modelo do leilão que atraiu empresas asiáticas estatais.
 
Tanto no mercado como no governo já é dada como certa uma parceria da Petrobras com as empresas chinesas CNOOC e CNPC. A empresa não comenta o assunto.
 
Moraes informou que petroleiros de Pernambuco aderiram hoje à greve, parando o terminal do Porto do Suape e as obras da refinaria Abreu e Lima. Ele estima que pelo menos 80% das operações da Petrobras foram afetadas de alguma forma pela greve.
 
Ele informou que a greve conseguiu parar a produção de 15 plataformas, mas não soube informar o volume de produção de petróleo que isso representa. Na última greve, a produção da Petrobras foi reduzida em apenas 10 mil barris, de um total de 1,9 milhão diários.
 
Segundo ele, nenhuma refinaria foi afetada e a produção de derivados para o abastecimento do mercado não está comprometida. "A greve cresceu e já atingiu também alguns campos terrestres, e vamos continuar até segunda, depois vamos debater com os petroleiros os caminhos que seguiremos", explicou Moraes à reportagem.
 
A FUP reúne 70% dos 85 mil petroleiros que trabalham na Petrobras e toma decisões independente à FNP, o que explica o baixo número de manifestantes na passeata realizada ontem no Centro do Rio, quando cerca de 100 petroleiros e sindicalistas simpatizantes protestaram contra o leilão.