ALAGOINHAS (Bahia) - A cervejaria Petrópolis deu a largada oficial nesta sexta-feira (22) em ofensiva para ampliar sua participação no Nordeste - território em que a concorrente Brasil Kirin registra seu melhor desempenho.

O grupo inaugurou, em Alagoinhas (108 quilômetros de Salvador), sua primeira fábrica na região, a 5 quilômetros de distância da unidade da oponente. A Petrópolis ocupa a vice-liderança do mercado brasileiro de cervejas, com 11,3% de participação, ante 10,6% da Brasil Kirin, segundo levantamento da Nielsen. A Ambev lidera com 65,5%.

Com o desembarque no Nordeste, que inclui nova fábrica em Pernambuco em maio próximo, a Petrópolis quer fechar 2014 com ao menos 14% do mercado.

No Nordeste, a cervejaria tem apenas 0,9% do mercado, e planeja chegar a 20%. "As metas são as mais agressivas. Vamos entrar forte na distribuição e em comunicação e marketing", disse o diretor de mercado do grupo Petrópolis, Douglas Costa.

A cervejaria irá construir centros de distribuição na região. Um dos primeiros é o de Salvador, cuja estrutura está quase pronta -e fica em terreno vizinho ao do centro da Brasil Kirin.

Para crescer no curto prazo, a Petrópolis prepara uma "invasão" da marca Itaipava em cerca de 300 mil pontos de venda do Nordeste, onde Skol (Ambev) e Nova Schin (Kirin) têm a liderança.

Para o secretário de Indústria e Comércio da Bahia, James Correia, a presença do grupo no Nordeste criará "briga boa" pelo mercado. "É uma empresa que chega capitalizada e com disposição de ganhar mercado", afirma.

A Brasil Kirin, que conta com fábrica em Alagoinhas desde 1997, tem 28% de participação no Nordeste. Procurada, a cervejaria não comentou a ação da Petrópolis.

Estádios

Outra ação do grupo para consolidar a marca Itaipava na região se deu na aquisição dos direitos de batizar dois dos três estádios nordestinos erguidos para a Copa de 2014.
Desde maio, a cerveja dá nome à Arena Fonte Nova, em Salvador, e à Arena Pernambuco, na região metropolitana do Recife.

A licença de naming rights tem prazo de dez anos e vai custar R$ 10 milhões anuais por estádio à cervejaria.

Críticas à inclusão do nome da cerveja aos estádios, contudo, se revelaram um dos principais desafios de marketing do grupo.

Em Salvador, onde a Fonte Nova já existia, mas foi implodida e deu lugar ao novo estádio, a indisposição ao nome foi maior. No caso da Arena Pernambuco, erguida do zero, a aceitação foi maior, avalia Douglas Costa, diretor de mercado da cervejaria.

"A resistência ao novo nome era prevista, até porque existia um nome e uma história na Fonte Nova. Mas o naming rights é um processo de construção. As pessoas precisam ter boas experiências no estádio para aceitar o nome", diz.

Para consolidar a estratégia das arenas, o grupo Petrópolis espera que o Congresso mude a legislação que impede a venda de bebidas alcoólicas nos estádios.

"Seria um passo importante para a consolidação da marca junto ao torcedor. E entendemos que o consumo é mais seguro dentro do estádio do que fora", diz Costa.
Respaldada pela Lei Geral da Copa, a venda de bebidas foi permitida nas arenas apenas durante o torneio.