A produção industrial mineira fechou o primeiro trimestre de 2015 com 8% de queda no confronto com igual período do ano passado, segundo pesquisa mensal realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado, quarto trimestre negativo consecutivo, relembra o período vivenciado pela indústria de Minas em 2009, durante a crise econômica mundial. E as expectativas dos especialistas não são nada otimistas.

Março encerrou com redução de 9,7% ante o mesmo mês do ano passado em Minas. Esta é a 12ª queda consecutiva do índice nesta base de comparação. Ou seja, a indústria vem encolhendo há 12 meses. No Brasil, a redução foi de 3,5%. De acordo com a analista do IBGE Juliana Dias Alves não há sinal de uma recuperação no curto prazo.

“No índice do acumulado de 12 meses, há retração na indústria mineira desde abril do ano passado. A queda é forte, clara e mostra uma tendência”, diz.

Os setores que puxaram a produção mineira para baixo foram máquinas e equipamentos, bebidas e automóveis. No acumulado do ano, o setor de máquinas e equipamentos sofreu redução de 32,4%, bebidas, 18,7%, e automóveis, 27,8%. “E os índices positivos foram muito tímidos”, diz Juliana.

Segundo o presidente da Comissão de Política Econômica e Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Lincoln Fernandes, a redução era esperada, principalmente no setor de automóveis, que atravessa um ano particularmente ruim.

“Alguns setores tiveram resultados semelhantes aos apresentados durante a crise de 2009. Veículos está quase pior”, aponta. A produção de veículos leves, segundo a Anfavea, caiu 16,7% entre janeiro e abril deste ano, contra igual período do ano passado.


Houve retração na produção de equipamentos e de bens de consumo duráveis

Férias coletivas

Na semana passada, a Fiat concedeu férias coletivas de 20 dias a 2 mil trabalhadores. Foi a quarta paralisação do ano. A General Motors, com unidade em São José dos Campos, suspendeu temporariamente os contratos de 325 metalúrgicos até agosto. Em ambos os casos, o objetivo é adequar a operação aos estoques.

Refrigerantes

No setor de bebidas, a retração da produção é comprovada pela fábrica de refrigerantes Mate Couro, em Belo Horizonte. No primeiro trimestre do ano, a companhia reduziu em 3% a fabricação de bebidas, na comparação com igual período do ano passado. Para se adequar à nova realidade, a empresa, que estimava uma alta de 8% no ano, deu férias para cerca de 15 funcionários.

“São funcionários que tinham férias vencidas”, explica o gerente comercial da Mate Couro, Lázio Divino Pinto.

Máquinas

Frente ao ambiente desfavorável, os investimentos são reduzidos drasticamente, conforme ressalta o presidente da comissão de Política Econômica e Industrial da Fiemg.

“Sem perspectivas, as indústrias não ampliam ou renovam a produção e, consequentemente, não compram bens de capital, afetando o setor de máquinas e equipamentos. É um efeito cíclico”, diz Fernandes.

O Indicador de Clima Econômico da América Latina recuou 5,3% no trimestre encerrado em abril em comparação aos três meses até janeiro, segundo a FGV