A recuperação da economia brasileira deve ser ainda mais lenta do que o esperado anteriormente, com a saída da recessão estimada para o segundo trimestre de 2017 e não mais no início do próximo ano, avaliam os pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). A previsão de alta do Produto Interno Bruto (PIB) para 2017 foi revisada de 0,6% para 0,3%, de acordo com o quarto e último Seminário de Análise Conjuntural do ano.

Houve também uma piora da expectativa para o PIB deste ano, que passou de uma queda de 3,2% para 3,5%. A economista Silvia Matos afirmou que já havia um alerta de recuperação lenta da economia no último seminário, realizado em setembro, mas agora o cenário é ainda pior. "Para este ano, o PIB vai ficar mais negativo do que a gente previa, o que tem efeito sobre 2017, uma vez que há um carregamento estatístico maior para o ano que vem. A saída da recessão será um pouco mais demorada", afirmou Silvia. Para 2018, é esperado um crescimento do PIB de 1,8%.

A especialista citou a queda do PIB no terceiro trimestre do ano, de 0,8%, superior ao aguardado, além das indicações de uma nova contração no quarto trimestre deste ano. Outro fator negativo foi o desempenho da indústria em outubro. Um destaque positivo esperado para o ano que vem virá da agropecuária, que terá uma "contribuição importante" para o crescimento do PIB. Além disso, Silvia citou a indústria de transformação, que "deve sair do campo negativo". A economista citou ainda que os modelos apontam para uma queda mais forte da taxa de juros, "que permitiria um crescimento mais forte para o fim do ano que vem e mais para 2018". A taxa de juros é estimada em 11% no final de 2017.

A previsão do IPCA para 2017 ficou em 5,1%, sendo que neste ano é esperado fechar em 6,5%. A alimentação será responsável por cerca de 60% da redução inflacionária em 2017. Ao fim do primeiro trimestre, é aguardada inflação abaixo de 6%. "Os serviços prosseguem em desaceleração, diante da deterioração adicional do mercado de trabalho", afirmou Salomão Quadros, o superintendente adjunto para Inflação do Ibre/FGV. Ele destacou ainda que, ao contrário de 2016, não haverá contribuição de preços administrados.

Silvia Matos ressaltou que a economia brasileira está passando por uma das mais severas recessões da história brasileira. Para que volte a crescer, vê a necessidade de que a solvência do setor público seja de fato restaurada no médio e longo prazos. Além disso, destaca que a intensificação da crise política pode dificultar a aprovação de reformas, sendo que o risco de cenários mais adversos aumentou nas últimas semanas.