O baixo estoque de apartamentos novos em Belo Horizonte e Nova Lima fez com que o preço médio do metro quadrado de uma unidade na planta nas duas cidades subisse 16,35% no intervalo de um ano, entre agosto de 2020 e agosto de 2021, passando de R$ 9.019 para R$ 10.494. Se considerado apenas este ano, a alta registrada chega a 5,27%. A variação foi levantada pelo Sinduscon-MG (Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais) e reflete a combinação de escassez na oferta com alta nos insumos.

“Nós tivemos uma inflação muito grande no valor dos materiais de construção. Um aumento excessivo de alguns itens básicos, como aço e cimento. Temos uma oferta disponível muito baixa, por isso, temos conseguido fazer essa correção no preço sem muita dificuldade”, explica Renato Michel, presidente do Sinduscon-MG.

Segundo Michel, a alta nos patamares registrados em Belo Horizonte se deve ao baixo número de unidades novas disponíveis no mercado, diferente, inclusive, do que ocorre em outros grandes centros do país. “Nós temos conseguido repassar esse aumento para o preço dos imóveis. É muito mais um reajuste, um realinhamento, em função do aumento dos nossos custos. Nem todas as cidades estão conseguindo fazer esse tipo de reajuste”, considera ele.

Oscilações

Apesar da forte alta no metro quadrado no caso dos lançamentos, um outro levantamento, feito pela imobiliária Casa Mineira por Quinto Andar, mostra que, dependendo do bairro da capital, o metro quadrado chegou a cair até 20% neste ano, nas transações em geral, o que inclui novos e usados.

“O mercado em BH segue aquecido e com muitas oportunidades para compra de imóveis residenciais já que o aumento dos custos da construção civil ainda não refletiu no preço de muitos imóveis. Para garantir as melhores opções de compra e venda, é muito importante estar atento às oscilações do mercado”, aconselha Admar Cruz, diretor da Casa Mineira por QuintoAndar.

De acordo com o levantamento da imobiliária, os maiores aumentos por metro quadrado, de janeiro a setembro deste ano, foram registradas no Estoril (de R$ 3.544 para R$ 4.002), Ouro Preto (de R$ 4.267 para R$ 4.715), Prado (de R$ 4.457 para R$ 5.870), Sion (de R$ 5.655 para R$ 6.852) e União (de R$ 4.256 para R$ 5.435). Todos esses bairros tiveram valorização acima de 10% entre o segundo e o terceiro trimestre.

Na contramão dos aumentos, os bairros Cruzeiro, Luxemburgo e São Pedro são as regiões em que os preços do metro quadrado mais caíram nos contratos fechados no terceiro trimestre. No Cruzeiro, os valores saíram de R$ 5.794 para R$ 4.394, uma queda superior a 20%. No Luxemburgo, os apartamentos foram de R$6.818 para R$ 5.220, e no São Pedro passou de R$ 5.750 para R$ 4.847.

Bairros mais procurados

Os bairros Santo Antônio, Buritis e Prado foram os mais procurados no terceiro trimestre de 2021 por quem planejava comprar um imóvel em Belo Horizonte, aponta a imobiliária Casa Mineira por QuintoAndar. A região central e o Sion, na região Centro-Sul, completam a lista dos cinco bairros mais desejados nos últimos meses.

Convencido das oscilações de preço dos imóveis em Belo Horizonte, Victor Aguiar, CTO em uma empresa do segmento de saúde, monitorou por pelo menos um ano a evolução dos valores até decidir pelo momento da compra.

Ele conta que vinha acompanhando apartamentos nos bairros da região Centro-Sul, mas, com olhos atentos também ao Santo Antônio.

“Venho monitorando os valores há pelo menos um ano. Consegui um preço que, sinceramente, eu não estava esperando. Ele estava sendo anunciado por R$ 360 mil. No mesmo prédio, havia imóveis girando em torno de R$ 380 mil e, negociando, conseguiu fechar por R$350 mil. Quando esse momento chegou, eu sabia que era a hora de comprar”, conta.

Negociação

Conforme o levantamento da imobiliária Casa Mineira por QuintoAndar, o desconto negociado entre proprietários e compradores no período analisado foi praticamente estável, na faixa de 3,94%.

Segundo Victor, o bom negócio fechado não foi um caso isolado. “Não só esse, notei isso com vários outros. Cheguei a negociar com um outro proprietário que aceitou meu valor, mas no final das contas não deu certo porque preferi o prédio que eu já queria”, diz.

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