A produção industrial brasileira registrou subida de desempenho pelo 9º mês seguido, em janeiro. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada ontem pelo IBGE. No primeiro mês do ano, a indústria cresceu 0,4% em comparação com dezembro. Mesmo no positivo, porém, a PIM mostrou algo preocupante: pela primeira vez, desde o início da sequência de crescimento – em maio –, a quantidade de setores industriais que tiveram recuo foi maior do que os avançaram – 14 dos 26 pesquisados.  

Segundo especialistas, os indicadores mostram que o ritmo da retomada da indústria devem ficar menores ao longo do 1 º semestre de  2021, em relação ao segundo de 2020. 

O IBGE aponta duas das quatro das grandes categorias econômicas e 11 dos 26 ramos pesquisados mostraram crescimento na produção. A indústria de alimentos foi a que teve o melhor desempenho (3,1% de alta) e reverteu três meses de acúmulos de perdas. 

Na contramão, a metalurgia apresentou queda de 13,9% na produção após seis meses consecutivos de melhora. Para o gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo, os dados apontam desaceleração em relação às altas que vinham ocorrendo. "Observamos a manutenção do comportamento positivo do setor industrial, mas com desaceleração no seu ritmo no mês de janeiro”, destaca. 

Em Minas Gerais, dados da Pesquisa de Indicadores Industriais, desenvolvida pela Fiemg – e que servem como uma espécie de prévia da PIM regional – mostram que a tendência nacional deve se repetir no Estado. O faturamento geral das indústrias cresceu 1%, sendo que o segmento de transformação apresentou diminuição de 0,9%. 

Para o economista da entidade, Marcos Marçal, a diminuição no crescimento vem na esteira da diminuição do consumo causada pelo fim do dinheiro oriundo do auxílio emergencial. “Já havia essa expectativa de que o crescimento iria ser menor neste ano. O consumo diminuiu e com isso a demanda também, impactando a produção industrial”, diz o economista.

Juros mais altos x crescimento

E os prognósticos para a indústria não são animadores. O último boletim Focus, emitido pelo Banco Central, reduziu a expectativa de crescimento do setor para 2021 de 5,8% para 4,9%. Para o economista Paulo Casaca, o pessimismo pode ser ampliado ainda mais com a possiblidade de elevação da taxa básica de juros (Selic), que deve acontecer já neste mês. “Infelizmente, com as medidas de isolamento social que devem acontecer em todo o país, aliadas à diminuição do consumo e à dificuldade no crédito, podemos esperar recuo na atividade industrial”, afirma ele.