A economia brasileira entrou em recessão técnica, ao registrar dois trimestres consecutivos de retração este ano. De acordo com o Indicador Serasa Experian, o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 1,4% no período de abril a junho de 2015, após ter recuado 0,2% no primeiro trimestre, com a taxa já dessazonalizada. No confronto com o segundo trimestre de 2014, sem ajuste, a economia teve contração de 1,5%.

Além dos fatores já amplamente conhecidos - queda no nível de confiança de consumidores e empresários, inflação elevada que vem reduzindo o poder de compra dos brasileiros, aumento no juro básico que atualmente está em 14,25% e que vem deixando o crédito mais caro -, os economistas da Serasa também citam, em nota, que a crise política empurrou a economia para o campo negativo no segundo trimestre.

O setor industrial foi o que mais registrou queda, do lado da oferta, ao cair 3,9%. Na sequência, aparecem as atividades de serviços, com retração de 0,3%, e de agropecuária, com declínio de 0,2%, ante os três primeiros meses de 2015. Apesar do recuo no período de abril a junho deste ano, no primeiro semestre a agropecuária acumula crescimento de 3,9%, devido à safra recorde de grãos aguardada para este ano, conforme a Serasa.

Já os maiores recuos, da parte da demanda, foram registrados nos investimentos, que tiveram variação negativa de 8,6%, no segundo trimestre em relação ao anterior. Nos seis primeiros meses de 2015, a retração foi de 9,4%.

Segundo a Serasa, tanto o consumo das famílias como o do governo caíram, respectivamente, 0,9% e 0,6% no segundo trimestre. "Por outro lado, o setor externo, com exportações avançando 4,1% e as importações recuando 9,2%, impediram uma retração maior na atividade econômica no segundo trimestre de 2015", avalia nota da Serasa.