A inflação em Belo Horizonte desacelerou em maio, passando de 0,49% em abril para 0,29%, a segunda menor variação mensal desde janeiro, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado na quarta-feira (5) pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead). No acumulado dos últimos 12 meses, também houve recuo em maio, para 5,71%, interrompendo a tendência de alta nesta base de comparação que vinha desde fevereiro.

De acordo com o coordenador de projetos da Fundação Ipead, Renato Mogiz Silva, as políticas adotadas pelo governo federal, como desoneração da cesta básica e redução nas tarifas de energia elétrica, contribuíram para conter a inflação.

“Se não fosse por isso, teríamos valores iguais ou até superiores aos do ano passado, mas, a princípio, a tendência é a de que seja mantido esse patamar, embora ainda seja cedo para afirmar. Se seguirmos nesse ritmo, ficaremos abaixo do teto da meta do governo, de 6,5% no ano”, afirma Mogiz.


Alimentos

Os alimentos, vilões da inflação nos últimos meses, apresentaram estabilidade, com variação de 0,06% em maio. Segundo Mogiz, apesar da desaceleração observada no último mês, para muitos consumidores, a sensação ainda é a de elevação nos preços, já que os alimentos acumularam alta de 13,23% nos últimos 12 meses, mais do que o dobro da inflação no período, enquanto os produtos não-alimentares registraram variação de 4,39%.

Embora o tomate tenha deixado o posto de vilão, com queda de -17,76%, alimentos como o mamão e a batata inglesa dispararam em maio (altas de 19,77% e 14,65%, respectivamente).

De acordo com economistas da Fundação Ipead, neste ano, os preços dos alimentos mais presentes na mesa do brasileiro subiram de uma vez, reforçando a sensação de avanço na inflação. Além disso, o desequilíbrio entre oferta e demanda também tem contribuído, já que uma parcela maior da população tem tido acesso a mais produtos e serviços, devido ao baixo nível de desemprego e às políticas de incentivo ao aumento da renda.

“É difícil explicar o que acontece com os alimentos. Os produtores alegam problemas climáticos e sazonalidade, fatores que tornam o setor instável. Mesmo com o recuo na inflação, a composição do IPCA teve esse diferencial”, diz Mogiz .

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