Pela primeira vez em 15 anos, o comércio brasileiro viu as vendas caírem durante cinco meses seguidos. No primeiro semestre deste ano, o setor acumulou queda de 2,2%, a maior baixa para o período desde 2003. Em Minas Gerais, o percentual é praticamente o mesmo, de -2,1%, segundo a [TEXTO]Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada ontem pelo IBGE.

O Estado foi o que mais impactou o resultado global do comércio varejista. Minas apresentou retração de 8,6% em junho na comparação com o mesmo mês do ano passado.

No depósito Irmãos Becker, no bairro Sion, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, a queda nas vendas foi de 30% no primeiro semestre deste ano. Como consequência, a equipe de vendas precisou ser reduzida, relata o vendedor Angelo Policastro. “Agora, estamos apostando nas promoções de tintas, deixamos de cobrar carreto nas entregas e estamos segurando os preços dos produtos”, diz.

As vendas de material de construção interromperam uma sequência de cinco quedas no país e registraram alta de 5,5% em junho ante maio. Apesar disso, o desempenho não recupera as perdas anteriores, segundo Isabela Nunes Pereira, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE. “A queda acumulada de janeiro a maio foi de 9,4%. Então, a alta de 5,5% não compensa o desempenho anterior”, destaca.

Nas Cerâmicas Nacionais Reunidas (CNR), com unidades em BH, Betim, Contagem e Nova Lima, o volume de vendas cresceu no primeiro semestre, mas houve perda de rentabilidade.

“No atual cenário econômico, está cada vez mais difícil manter o que se faturava antes. Por isso, estamos investindo em divulgação, estendemos em duas horas o funcionamento das lojas e reduzimos os preços de mercadorias”, afirma o superintendente geral Rogério Sotero.

Quase todos os segmentos pesquisados em Minas pelo IBGE apresentaram retração no acumulado do ano ou se mantiveram praticamente estagnados, como o de supermercados e bebidas (0,3%).

“Segmentos que comercializam bens duráveis como automóveis, eletrodomésticos e móveis dependem mais de condições de financiamento e são mais sensíveis à escalada da inflação, ao aumento do desemprego e das taxas de juros. O consumidor torna-se mais cauteloso e prioriza apenas itens essenciais”, explica o economista da Fecomércio-MG, Guilherme Almeida.

TERMÔMETRO

A Câmara de Dirigentes Lojistas de BH (CDL-BH) também divulgou ontem um termômetro das vendas de junho na capital (veja infográfico).

“Nem mesmo o Dia dos Namorados conseguiu sustentar o desempenho do comércio”, avalia Davidson Cardoso, vice-presidente de assuntos econômicos da entidade. No acumulado do ano, o setor amargou queda de 2,9%.