O varejo está inseguro para dar início às encomendas de Natal. Normalmente, a indústria começa a receber os pedidos na passagem de agosto para setembro. Mas, neste ano, os lojistas estão empurrando as encomendas para a frente em função da incapacidade de previsão do apetite do consumidor em dezembro.
 
O economista chefe da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Guilherme Veloso, diz que ainda não há registro de aceleração nos setores diretamente ligados às vendas de Natal, como têxtil, calçados, confecções e eletroeletrônicos.
 
“Nas indústrias relacionadas, não há expectativa de vendas muito fortes, tendo em vista a atual situação do varejo, cujas vendas estão estagnadas”, diz Veloso.
 
Segundo ele, em função da insegurança com as vendas de fim de ano, as indústrias não preveem a contratação de novos funcionários, o que é comum nessa época do ano. “A tendência é buscar aumentar a produtividade do trabalhador”, diz.
 
Calçados
 
Em Nova Serrana, polo mineiro da produção de calçados, o ritmo não é o mesmo daquele registrado em setembro do ano passado e as encomendas ainda não começaram.
 
De acordo com o presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Calçados de Nova Serrana (Sindinova), Pedro Gomes da Silva, os associados ainda não entraram no ritmo de Natal.
 
“Esperamos que isso aconteça a partir da segunda quinzena de setembro. Se demorar mais, pode ser preocupante”, afirma.
A indústria de brinquedos Estrela aguarda o fechamento dos pedidos para o Dia das Crianças para só então começar a fazer o balanço das encomendas para o Natal. Para a indústria de brinquedos, o Dia das Crianças funciona como um termômetro de como será o Natal, principal data do ano para o setor.
 
“Os sinais avaliados são os pedidos e as vendas dos clientes. Depois da segunda quinzena de outubro é que saberemos como foi o movimento e se haverá forte reposição de estoque nas lojas para o fim de ano ou não”, afirma o presidente da empresa, Carlos Tilkian.
 
Já o comércio de enfeites de Natal, cujo estoque é composto por 95% de produtos importados, não considera a variação cambial como uma vilã. Na distribuidora Nathália Christmas, por exemplo, a maior parte das compras foi feita e paga ainda no primeiro semestre, período em que o dólar não registrou altas significativas.