O Irã quer dobrar suas exportações de petróleo bruto logo após as suspensões de sanções internacionais, de acordo com o vice-ministro do petróleo do Irã para planejamento e supervisão, Mansour Moazami. O país está se esforçando para convencer outros membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) para renovar seu sistema de cotas.

Caso as sanções sejam suspensas, o vice-ministro do petróleo do Irã para planejamento e supervisão, Mansour Moazami, disse em uma entrevista à Dow Jones que as exportações de petróleo do Irã alcançariam 2,3 milhões de barris por dia, em comparação com cerca de 1,2 milhão de barris por dia de hoje.

"Somos como um piloto na pista pronto para decolar. Esta é a forma como o país inteiro está agora", disse Moazami.

O Irã já está em contato com companhias da União Europeia, como o Vitol Group, Royal Dutch Shell, Total e Eni, e importadores na Ásia para ajudar a absorver os potenciais novos embarques, de acordo com o Ministério do Petróleo iraniano e as empresas.

O Irã tem a quarta maior reserva de petróleo do mundo e sua capacidade de produção é de cerca de quatro milhões de barris por dia, tornando-o o segundo maior produtor da OPEP se não tivesse limitações. As sanções da UE em 2012 proibiram a importação de petróleo iraniano e restringiram a maioria das grandes empresas de petróleo de trabalhar com o Irã, enquanto a pressão americana forçou os países asiáticos a reduzirem suas compras.

Analistas de petróleo no mercado expressaram ceticismo sobre a possibilidade de o Irã aumentar a produção tão rapidamente quando o planejado. Um delegado sênior da Opep disse que alguns produtores rivais duvidam que o Irã tenha as ferramentas para alcançar seus níveis de produção anteriores, de 4,2 milhões de barris por dia.

Diante de preocupações com os preços do petróleo, Moazami disse não esperar que os valores recuem com a volta do Irã ao mercado, porque o crescimento econômico global deve impulsionar a demanda. Ele disse que a previsão do Irã para os preços do petróleo eram agora US$ 70 o barril até o final de 2015.

A tentativa iraniana de aumentar a produção e mudar o sistema de cotas poderia levar o país a um confronto com a Arábia Saudita, que está se esforçando para aumentar os seus próprios números de exportação e se opõem a retomar a política de limites individuais de produção entre os Estados-membros da OPEP.

As questões ressaltam também como o retorno completo do Irã ao mercado de exportação de petróleo poderia reconfigurar o status dos grandes países produtores do mundo. A República Islâmica parece estar se aproximando de um acordo com seis potências mundiais, o que pode levar à suspensão de sanções em troca de limites no programa nuclear de Teerã.

A data-limite para um acordo é terça-feira. Autoridades disseram que os elementos de um acordo foram se encaixando no fim de semana, embora suas perspectivas permanecem incertas.

Moazami disse que o Irã está pressionando a OPEP a retomar a política de cotas individuais de produção. Esse direcionamento foi interrompido em 2011, porque causava atrito entre os membros e os países não respeitavam os limites. A OPEP substituiu as cotas por um teto coletivo, atualmente em 30 milhões de barris por dia, mas essa restrição é vista, em grande parte, como uma diretriz, em vez de um limite proibitivo. O grupo está produzindo atualmente mais de 31 milhões de barris um dia.

"O mecanismo atual não é adequado. É preciso voltar para a habilidade e capacidade passada", disse Moazami. A reintrodução de cotas teria de ser aprovada por unanimidade pela organização.

Na última reunião em 5 de junho, o ministro do petróleo iraniano, Bijan Zanganeh informou outros dirigentes da Opep que a produção de seu país aumentaria se as sanções forem suspensas e se ofereceu a restabelecer as quotas. Mas a proposta foi rejeitada pelo ministro da Arábia Saudita, Ali al-Naimi, que alegou que o aumento da produção não deve ser discutido até que se materialize. O saudita também descartou o retorno de alocações individuais de produção.

Sem comentar sobre qualquer país em particular, Moazami disse: "Minha opinião pessoal é que a OPEP aceitará" uma retomada das atribuições individuais. "Vai levar tempo, mas isso é para o benefício da Opep", disse ele.

O dirigente disse, no entanto, que a organização gostaria de voltar a cotas somente se isso "for absolutamente necessário" e a queda recente dos preços não justifica tal decisão. Fonte: Dow Jones Newswires.