Com pouca maturidade mas muita vontade de gastar, os jovens estão com as contas no vermelho. Nem entraram na faculdade e já sofrem o assédio de bancos e empresas de cartões de crédito. Afoitos para consumir e sem experiência financeira para lidar com dinheiro de plástico ou cheques, perdem o controle dos gastos e acabam atolados em dívidas.
 
O Indicador de Educação Financeira (IndEF) 2014, elaborado pelo SerasaConsumidor em parceria com o IBOPE Inteligência, aponta que 35% dos jovens entre 16 e 24 anos estão com contas em atraso. É a maior taxa de inadimplência entre todos os grupos pesquisados. Além disso, 41% deles admitem uma tendência para a compra realizada por impulso, sem pensar nas consequências. 
 
O coordenador do curso de Ciências Econômicas do Centro Universitário Newton Paiva, Leonardo Bastos, diz que os jovens são mais vulneráveis aos apelos de consumo, principalmente nesta época do ano. 
 
“Muitas vezes, o jovem tem uma salário de R$ 1.500. Como o limite do cheque especial e do cartão de crédito é pequeno, ele acaba adquirindo outros dois ou três cartões para ampliar os gastos. Quando se assusta, já torrou R$ 3 mil, R$ 4 mil. Gasta muito mais do que recebe e não dá conta de pagar”, adverte o professor.
Para Bastos, é importante ter em mente que cartão de crédito não é renda ou salário. “É uma maneira de comprar, mas é preciso administrar o fluxo de caixa”, alerta Bastos.
 
Segundo o professor, uma das razões para a onda de aperto na juventude é a falta de ensinamentos sobre a vida financeira na grade curricular das escolas. Em outros países, a disciplina já é ministrada.
Se as finanças já estão no buraco, a saída é negociar a dívida. “Se o débito com o cartão já atingiu R$ 2 mil, por exemplo, a solução pode ser entrar em acordo com a administradora e pagar parcelas de R$ 50 ou R$ 60 mensais. E, claro, frear os gastos”, ensina o professor Bastos. 
 
Lado emocional comanda a administração da carteira
 
Os jovens também são os que mais admiram quem gasta com roupas caras e carros de luxo, segundo o estudo do SerasaConsumidor em parceria com o IBOPE Inteligência. Quase 30% dos que têm de 16 a 24 anos admitem ir às compras atrás de marcas aprovadas por amigos e parentes. E 37% reconheceram que, ao menos uma vez no ano, notaram que as despesas eram superiores aos rendimentos. 
 
“Boa parte dos jovens ostenta produtos que emprestam glamour e remetem a um padrão social mais elevado. Porém, para a maioria, na ponta do lápis, essa realidade não cabe no orçamento”, diz o superintendente do SerasaConsumidor, Julio Leandro.
 
E é aí que se encontra um dos atalhos da inadimplên-cia: tentar manter um padrão de vida que não condiz com o salário.
 
Ao contrário da maioria dos jovens da mesma idade, o professor de Educação Física Daniel Andrade Faustino, 24 anos, é supercontrolado com as finanças. Todo mês, ele guarda na caderneta de poupança um dos salários que recebe das três escolas em que trabalha. O dinheiro só sai de lá em caso de emergências, como conserto do carro. Para ajudar a planejar as despesas, Daniel tem um aplicativo no celular e anota todas as despesas em uma agenda. “Vivo com o que tenho, nunca gasto mais do que ganho e penso no futuro”, diz ele.