Uma semana antes de mais uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o mercado financeiro manteve suas projeções para a Selic no encerramento dos anos. No Relatório de Mercado Focus desta segunda-feira (23), os analistas projetam que a taxa básica de juros terminará o ano em 12,75% como na semana anterior - um mês atrás, a mediana das expectativas estava em 12,50%.

Apesar desse congelamento para o fim de 2015, a Selic média para este ano passou de 12,78% para 12,84% ao ano, o que embute a perspectiva de que há mais analistas prevendo uma taxa maior para o juro básico da economia ao longo deste ano.

Para o encerramento de 2016, a mediana das projeções foi mantida em 11,50% pela oitava semana seguida. A previsão mediana para a Selic média do ano que vem também ficou paralisada - 11,61% ao ano - mas vale ressaltar que está acima da taxa efetiva aguardada para o final do ano que vem. Há um mês, porém, a mediana das projeções para essa variável estava maior, em 1,69% ao ano.

No caso dos economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros preveem uma elevação bem mais forte do que a pesquisa geral. Para o grupo Top 5 de médio prazo, a Selic encerrará este ano em 13,00%, como já acreditavam esses analistas há cinco semanas. Para o encerramento de 2016, esse grupo projeta agora uma taxa de 11,38%, menor do que a mediana de 11,50% ao ano da semana passada. Essa taxa revela que os profissionais estão divididos em relação ao patamar do juro no encerramento de 2016.

Superávit comercial

As projeções do mercado financeiro para a balança comercial apresentaram piora tanto para 2015 quanto para 2016. A mediana das estimativas para o saldo comercial em 2015 passou de um saldo positivo de US$ 5 bilhões para US$ 4,40 bilhões no período. Há quatro semanas, essa projeção era de US$ 4,50 bilhões. Para 2016, a mediana das projeções diminuiu de um superávit de US$ 12 bilhões para US$ 11 bilhões. Mesmo assim, segue acima da expectativa de saldo positivo de US$ 10,02 bilhões verificado quatro semanas atrás.

No caso das previsões para a conta corrente, o mercado financeiro ajustou a mediana para 2015 de um déficit de US$ 78,00 bilhões da pesquisa passada, e de quatro edições atrás, para US$ 78,40 bilhões. Já para 2016, a perspectiva de saldo negativo passou de US$ 69,25 bilhões na semana passada para US$ 69,75 bilhões agora. Um mês antes esse número estava em US$ 69,00 bilhões.

Para esses analistas consultados semanalmente pelo BC, o ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) será insuficiente para cobrir esse resultado deficitário em 2015 e também no ano que vem, já que a mediana das previsões para esse indicador foi mantida US$ 60,00 bilhões para os dois anos.

Câmbio

Depois de engatar alta nas negociações atuais, o dólar chegou a R$ 3,00 no Relatório Focus. A estimativa é a mediana das projeções do mercado para o câmbio no encerramento de 2016. Há uma semana, o ponto central da pesquisa era de uma cotação de R$ 2,93 e, há quatro, de R$ 2,90. Com esse aumento, a mediana para o câmbio médio ao longo do ano que vem também sofreu alteração, passando de R$ 2,85 para R$ 2,88. Quatro semanas atrás, estava em R$ 2,82.

No caso de 2015, a mediana das estimativas para o câmbio foi mantida em R$ 2,90 - quatro edições anteriores do boletim Focus estava em R$ 2,80. Apesar da manutenção ao final do ano, foi observada uma elevação no caso do câmbio médio de 2015, que passou de R$ 2,81 para R$ 2,84 - um mês antes estava em R$ 2,72.

IGP-DI

A inflação no atacado mostrou algum alívio no Focus desta segunda-feira. De acordo com o documento, a mediana das estimativas para o IGP-DI deste ano caiu, enquanto a das projeções para o IGP-M foi mantida. O boletim Focus mostrou que o IGP-DI deve encerrar 2015 em 5,75% e não mais em 5,81% como os analistas projetavam uma semana antes. Quatro semanas atrás, a mediana das estimativas estava em 5,64%. Para 2016, a perspectiva de alta de 5,50% desse indicador segue pela 29a semana consecutiva.

Já o ponto central da pesquisa para o IGP-M de 2015 ficou congelado em 5,81% de uma semana para outra - um mês antes estava em 5,66%. No caso do ano que vem, a expectativa dos participantes é a de que o principal índice de inflação referência para reajuste de alugueis também suba 5,50%, de acordo com o boletim Focus, que registra esse patamar também há 29 semanas.

O IPC-Fipe para 2015 ficou congelado na pesquisa Focus divulgada hoje. O boletim mostrou que a mediana das projeções está em 6,47%. Um mês antes, a mediana das projeções do mercado para o IPC era de 5,50%. Para 2016, porém, a previsão para a inflação de São Paulo, permaneceu em 5,00%, mesmo patamar visto quatro semanas antes.