Pelo quarto mês seguido, o endividamento das famílias em BH registrou alta: em abril, atingiu 71,4% dos entrevistados pela Fecomércio-MG. A variação foi de 2 pontos sobre março (69,4%). A mesma pesquisa aponta que o índice foi o segundo mais alto desde agosto de 2020 (77,7%), praticamente igualando-se ao de setembro (71,6%). 

Para especialistas, o aumento do aperto financeiro tem relação direta com a dois fatores: a diminuição do impacto do auxílio emergencial na renda das pessoas – o “coronavoucher”, pago a menos gente, caiu bastante em relação ao de 2020 – e a reabertura do comércio na capital.

A pesquisa mostra ainda a escalada no endividamento das famílias da capital em 2021: passou de 67,7%, em janeiro, para 68,7%, 69,4% e os atuais 71,4%, em abril. 

Segundo Gabriela Martins, economista da Fecomércio-MG, a subida é fruto da pandemia. “Muitas pessoas que se endividaram o fizeram por terem ficado desempregadas. E, com a retomada do comércio, tiveram que se endividar talvez ainda mais para suprir necessidades básicas das famílias”, explica.

Com o comércio aberto, gastos que estavam suspensos voltam a ser gerados, segundo especialistas, e isso acaba aumentando as despesas e, consequentemente, as dívidas; tendência é de que a situação piore nos próximos meses

Ainda conforme o levantamento, o índice de pessoas com contas em atraso também vem crescendo desde o início do ano e chegou, em abril, a 32,5% (o mais alto desde novembro). Em janeiro, os devedores na capital eram 32,3%, mas o índice chegou a cair em fevereiro e março (031,3%). 

Para Luiz Carlos Gama, economista do Ibmec, a situação tende a piorar nos próximos meses. “O auxílio emergencial é menor e a renda das famílias está cada vez mais comprometida. Com o comércio aberto, gastos que estavam suspensos voltam a ser gerados. Isso aumenta despesas e dívidas. A inadimplência vai aumentar”, garante.

Prioridades

Outro dado relevante da pesquisa é sobre as condições que os belo-horizontinos têm de pagar dívidas. Os que dizem não ter como honrar compromissos (14,5%) voltaram a subir depois de dois meses (fevereiro e março). É o caso da cozinheira Giovana Magalhães, de 45. Desempregada desde fevereiro, ela viu as contas se acumularem. “Estou pagando o que é mais necessário, como luz, água, internet. Infelizmente, outras contas ficam para depois”, lamenta.

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