Mercado de casamentos em Minas passa longe da crise

Raul Mariano - Hoje em Dia
24/08/2015 às 06:44.
Atualizado em 17/11/2021 às 01:28
 (Frederico Haikal)

(Frederico Haikal)

A cautela do mercado consumidor frente ao cenário de incertezas econômicas, inflação elevada e ameaça de desemprego já desaqueceu diversos setores da economia. No entanto, o contexto de crise não tem mudado os planos de quem está a caminho do altar. A demanda pelos serviços ligados à indústria de casamentos continua firme.

Apenas na região Sudeste do país, mais de R$ 8,5 bilhões foram gastos com festas e cerimônias de casamento em 2014, conforme dados da Associação Nacional de Eventos Sociais (Abrafesta). Para empresários do setor, a procura não deve diminuir, mas se tornar cada vez mais específica.

Em Belo Horizonte, três espaços já estão em operação sob o comando do Grupo Meet de Investimentos. O Espaço Meet – para festas de casamento com até 600 pessoas – tem custo médio de locação de R$ 20 mil e está com todos os sábados reservados até o fim do ano.

Com o surgimento da demanda por eventos de porte reduzido, um novo filão foi percebido pelo grupo, o que levou a criação do Meet Lourdes e do Meet Bar. O primeiro pensado para festas com menos de 250 pessoas, o segundo para eventos de até 50 convidados.

“É ideal para os casais que querem manter o glamour do bairro adequando a festa a um orçamento mais enxuto. Já estamos fechando diversas datas para agosto do ano que vem”, explica o presidente do grupo, Fernando Júnior.

Pesquisa

Para os prestadores de serviços ligados à indústria de casamentos, a criatividade é o que faz mais diferença frente à demanda personalizada. “Muitos casais estão adequando as opções de buffet e substituindo produtos, mas nunca deixando de fazer. Não há redução de demanda porque as pessoas ainda fazem questão de priorizar esse tipo de comemoração”, avalia o presidente do Sindicato dos Bufês de Belo Horizonte e Região Metropolitana (SindBufê), João Teixeira Filho.

E para quem sonha com o altar não há crise que impeça o investimento na comemoração. Aline Pereira e Davi Hofer trocarão as alianças em novembro de 2016 e vão aplicar cerca de R$ 48 mil na festa para 200 pessoas. Desse total, só o buffet e a decoração ficarão em R$ 26 mil.

“Tínhamos a intenção de fazer uma festa maior porque temos famílias muito grandes, mas fizemos adequações. Já fechamos contrato com todos os fornecedores adiantado, pois sabemos que esses valores serão atualizados no próximo ano”, explica Aline.

Economia

Mariana Zamora e Rodrigo Nascimento, que estão com o casório marcado para o próximo mês de março, estão tentando baixar o investimento no enlace. O orçamento da festa do casal – que será em um sítio, terá 78 convidados e durará três dias – já está chegando à casa dos R$ 50 mil. “Nossa intenção é reduzir esse valor para que ele fique entre R$ 30 e R$ 40 mil. Acho o preço elevado, mas até interessante para a média do mercado”, comenta Mariana.

Quem casa quer festa, e com desconto

Um dos indicadores de que o segmento de casamentos deve continuar em alta é a expectativa de empresários do setor, que estão apostando em inovações para impulsionar a expansão do segmento.

De acordo com organizadores da Expocasório, uma das grandes feiras do Estado voltada para noivas, cerca de R$ 10 milhões devem ser movimentados durante os três dias de evento, que será realizado no fim deste mês. Um crescimento de 20% em relação a 2014.

“Além de facilitar a decisão dos casais, também objetivamos manter o setor aquecido. Se a crise existe, queremos que ela passe bem longe daqui”, avalia o organizador da feira, Stefann Palhares.

A aposta dos expositores é atender com versatilidade às demandas que surgirem. A empresária Mariana Moreno, da De A a Z Produções e Eventos, explica que os preços pagos por serviços como decoração custam em média R$ 15 mil, mas podem variar entre R$ 5 mil e R$ 300 mil.

“A procura continua regular, porém com um cliente que pede muito mais descontos e opta por elementos mais em conta, que conservem a mesma exuberância de sempre”, conclui.

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