O aumento na procura por aparelhos de ar-condicionado e ventiladores, por conta do calorão dos últimos dias em Minas, até anima as empresas do setor, mas não vai representar incremento proporcional nos lucros. Isso se deve, principalmente, à alta nos custos de produção e ao encarecimento dos equipamentos ao sair das fábricas. 

Para se ter ideia, um aparelho de ar-condicionado que era repassado às revendas pelos distribuidores, em agosto, por cerca de R$ 1 mil, hoje não é precificado por menos de R$ 2 mil. Em relação aos ventiladores, a elevação nos preços é ainda pior: um modelo de teto, que era vendidos ao consumidor por R$ 390, hoje não deixa o distribuidor por menos de R$ 500.

Dados da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar- Condicionado, Ventilação e Aquecimento em Minas Gerais (Abrava-MG) mostram que as vendas de condicionadores de ar em setembro subiram mais 50% em relação a agosto, no Estado. Para todo o ano, a expectativa gira em torno de aumento de 10%, o que faria com que o setor retornasse nível anterior à pandemia. 

Não fosse este porém: “O crescimento em 2021 está bom, mas, por outro lado, temos o encarecimento de insumos, que faz os preços finais para as revendas subirem bastante. Como a maioria das empresas trabalha com essa revenda por encomenda, é difícil repassar tais aumentos ao consumidor final. E isso, claro, reduz a nossa margem de lucro”, explica Carlos Braga, diretor-regional da Abrava-MG.

Segundo a Abrava-MG, um condicionador de ar que custava R$ 1 mil, em agosto, na fábrica, hoje está valendo R$ 2 mil 

A disparada nos preços de insumos também é observada nos componentes de ventiladores. Motores desses aparelhos, por exemplo, subiram até 40%. Além disso, só chegam às linhas de montagem 90 dias após encomendados. Já o alumínio e o cobre usados na fabricação tiveram aumentos de até 100% em um ano. “Então é só isso: hoje, uma caixa de papelão para embalar o ventilador , que era R$ 12, custa R$ 47”, afirma Paulo Leandro Coelho, gerente da Furacão Ventiladores, de BH.

“Sem falar dos componentes eletrônicos que vêm da China, com fornecedores nos cobrando preço do dia em que a nota é emitida. Como temos de pedir com antecedência de até 120 dias e o dólar só aumenta, encomendas como a de chicotes elétricos ficam até 30% mais caras. E o pior é que não consigo fazer esses reajustes para quem me encomendou os ventiladores em contrato de fabricação”, acrescenta ele. 

Demanda

Segundo a Abrava-MG, cerca de mil empresas atuam em Minas no segmento de venda, instalação e manutenção de sistemas de ar-condicionado. E a alta demanda, mesmo sem se traduzir em maiores lucros, já faz com que empresas não consigam atender os clientes. 

É o caso da loja gerenciada por Camila Carvalhais Vargas, na região Oeste de BH. Com a agenda lotada, a empresária suspendeu as férias dos funcionários para tentar dar conta dos pedidos, que aumentaram em 150% na primeira quinzena de setembro. Mas o excesso de serviço está longe de garantir maior remuneração. “Como atuo com encomendas, para ser competitiva preciso minimizar lucros. Vamos ter que trabalhar muito mais para tirar o prejuízo de 2020, ligado à pandemia”, explica ela. 

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