Em meio à crise financeira, o Mercosul tem um grande desafio pela frente: conseguir unidade para negociar um acordo de livre comércio com a União Europeia. As ofertas, de ambos os lados, estão sendo costuradas. E a perspectiva é a de que as trocas entre o bloco sul-americano e o europeu possam entrar em vigor ainda neste ano.

“A ideia de mais Brasil no mundo remete necessariamente à de mais Mercosul no mundo. Não podemos permitir o isolamento do bloco”, afirmou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Armando Monteiro Neto, durante abertura do V Fórum Empresarial do Mercosul, nesta terça-feira (14), em Belo Horizonte. O tema também estará na pauta do encontro da cúpula de presidentes do bloco sul-americano, que acontece em Brasília nos dias 16 e 17 de julho.

Ainda segundo o ministro, o “casamento do Brasil com o Mercosul é indissolúvel”, embora seja necessário discutir a relação. “Desde 2008, o Mercosul ressente-se dos efeitos da crise mundial. E isso exige estratégia de revitalização da nossa política comercial”, defendeu. Monteiro admitiu que o superávit comercial do Brasil com o Mercosul será menor neste ano e colocou a culpa na turbulência econômica. “Já geramos superávit maiores, de quase US$ 12 bilhões, e agora caiu para US$ 3,4 bilhões. É o efeito da desaceleração da economia mundial que afetou os principais países do bloco”, afirmou.

Outra medida sugerida foi a integração de processos produtivos. Segundo o alto representante geral do Mercosul, Florisvaldo Fier, o movimento já teve êxito em setores como o automotivo e de brinquedos. “Mas há potencial em segmentos como petróleo e gás, naval e eletroeletrônicos”, disse. O encontro segue hoje com rodada de negócios.

O saldo da balança comercial entre Minas e Mercosul fechou superavitário em US$ 203 milhões em 2014