As micro e pequenas empresas (MPE) foram responsáveis por 65% do saldo de empregos em Minas Gerais no primeiro semestre deste ano. De janeiro a junho, elas geraram uma diferença positiva de 120.818 vagas entre o total de contratados e demitidos. O resultado é o melhor registrado pelo setor para o período nos últimos nove anos.

É o que mostra levantamento feito pelo Sebrae Minas com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Além disso, os dados revelam que o desempenho das MPEs mineiras na geração de postos de trabalho perdeu apenas para São Paulo, que fechou o semestre com saldo positivo de 250.749 vagas. Em junho, foram geradas 25.974 novas vagas - segunda melhor marca de 2021, atrás apenas de fevereiro, que registrou saldo de 33.186.

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EMPREENDEDORISMO - Jacqueline Ferreira Fernandes, de 25 anos, começou um negócio sozinha no começo da pandemia e já está contratando colaboradores

Para superintendente do Sebrae Minas, Afonso Maria Rocha, as novas contratações mostram a recuperação entre as MPEs. “Tivemos um crescimento de 245% no saldo de empregos em relação ao mesmo período de 2020 e isso se dá pela natureza deste tipo de empresa, que reage mais rápido a qualquer movimento de retomada econômica”, explica.

Segundo o gerente da Unidade de Inteligência do Sebrae Minas, Felipe Brandão, a tendência é que o número de contratações entre as MPEs cresça ainda mais no segundo semestre. Para Brandão, a aceleração na vacinação contra a Covid-19 vai fazer com que a confiança dos micro e pequenos empresários fique ainda maior. “Quanto mais gente circulando e indo comprar e buscar serviços, mais as MPEs vão contratar. É um movimento natural, que vai crescer mais nos próximos meses”, crê.

Entre janeiro e junho, micro e pequenas empresas geraram uma diferença positiva de 120.818 vagas – entre contratados e demitidos

Chás fitoterápicos

Um dos exemplos dessa tendência é a empresária Jacqueline Ferreira Fernandes, de 25 anos. Em julho de 2020, nos primeiros meses da pandemia, ela mergulhou de cabeça em busca do sucesso de uma marca de chás fitoterápicos, que criou ao deixar um emprego, para dar continuidade à carreira profissional. 

Um ano depois, contratou uma especialista em marketing e pretende admitir pelo menos mais dois profissionais até o fim de 2021. “Comecei cuidando de tudo, desde o marketing, financeiro, comercial, distribuição. A única coisa que sempre terceirizei foi a produção. Agora, estou em plena expansão do negócio e não dou mais conta de fazer todo o trabalho sozinha”, explica.

Setor de serviços é campeão de contratações; capital apresenta o melhor desempenho

Entre as MPEs mineiras, as ligadas ao setor de serviços lideraram a geração de empregos nos seis primeiros meses deste ano. Segundo o Sebrae Minas, foram 43.554 postos de trabalho criados. Na sequência, ficou o comércio, com 27.228, seguido pela indústria, com saldo positivo de 25.630; construção civil, 18.818; e agropecuária, com 5.568. 

Belo Horizonte é a quarta cidade brasileira em que as MPEs acumularam saldo positivo na geração de empregos – com 16.867 novos postos. A marca faz da capital mineira a líder entre as cidades do Estado, seguida de Contagem, com 4.888, e Uberlândia, que abriu 4.841 novas vagas.

Novos colaboradores

A empresária Célia Soares, de 48 anos, da capital mineira, é exemplo claro desse bom desempenho. Nos planos dela, a contratação de mais colaboradores é certa. No fim de fevereiro do ano passado, ela abriu uma cafeteria no bairro Nova Suíça, região Oeste da capital. Ao longo de 2020, chegou a pensar em fechar as portas, em meio ao longo período de inatividade motivado pela pandemia. 

Demandas 

Nos últimos meses, o panorama mudou, e, com a maior procura dos clientes, a empresária está em busca de novos empregados. “Já contratei uma pessoa mês passado e vou ter que contratar pelo menos mais três até setembro, principalmente, para dar conta das demandas do fim de ano”, garante Célia.

 

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