A disparada do dólar e a crise econômica obrigaram muitos mineiros a adiar a tão sonhada viagem ao exterior. A cotação da moeda norte-americana próxima de R$ 4 durante boa parte do ano passado e o cenário econômico turbulento cortaram as asas e os planos de passeio para fora do país.

No Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, principal porta de entrada e saída do Estado, a movimentação de passageiros em voos internacionais caiu 10% em 2015, na comparação com 2014.

Segundo dados da BH Airport, que assumiu a concessão do terminal há um ano e meio, 392,3 mil pessoas embarcaram para o exterior via Confins em 2015, um contingente de 42,4 mil passageiros a menos, em relação ao ano anterior.

Como resposta à demanda mais fraca, não só em Confins, mas nos demais aeroportos do país, companhias aéreas já anunciaram o corte de rotas, deixando o consumidor com menos opções de escolha e mais distante de atravessar a fronteira. Confins opera, atualmente, voos regulares para cinco destinos internacionais: Lisboa, via TAP Portugal, Cidade do Panamá, pela Copa Airlines, Buenos Aires, através da Aerolíneas Argentinas, Miami pela American Airlines e TAM, e Orlando por meio da Azul.

No entanto, a partir de 1º de março a Azul não terá mais voo direto de Confins para Orlando, principal acesso aos parques da Disney. A suspensão da rota é reflexo da alta do dólar que afetou as receitas da companhia e o bolso do passageiro. Conforme o Hoje em Dia publicou na edição do último dia 17, a Azul vai devolver 20 aviões e já anunciou a saída do aeroporto da Pampulha. Um programa de licença não remunerada para pilotos e comissários foi lançado. No próximo mês, a TAM também dará adeus aos voos diretos de BH para Miami. Voos domésticos sofreram corte entre 8% e 10% no país.

Confins deve dobrar volume de passageiros em oito anos

Apesar do cenário econômico e político nebuloso, o presidente da BH Airport, Paulo Rangel, se mantém otimista. Segundo ele, a previsão é que o aeroporto de Confins chegue em 2023 com uma movimentação de 22 milhões de passageiros por ano. “Mesmo com a crise, apostamos em um crescimento médio entre 5% e 6% até lá”, diz o executivo.

Para ele, a demanda mais fraca exigiu das empresas um remanejamento na malha aérea. “Como custos com querosene, leasing das aeronavaes e peças de reposição são em dólar, o ajuste é necessário neste momento”, afirma. E se por um lado as viagens internacionais encolheram quase 10% em 2015, houve crescimento de 4% no número de passageiros que viajaram pelo Brasil. “Muita gente que iria passar passar férias na Europa ou Estados Unidos optou por viajar por aqui”, diz.

Ainda de acordo com Rangel, não há espaço para pessimismo no negócio. Pelo contrato de concessão, a BH Airport deve investir R$ 1,5 bilhão na primeira década de vigência do acordo. De agosto de 2014 até janeiro deste ano, R$ 230 milhões já foram investidos. Uma das principais intervenções é a construção do Terminal 2. A obra, que deveria ser entregue até abril, será concluída em dezembro deste ano. “Tivemos dificuldades com as licenças e estamos discutindo isso administrativamente”, informou.
Paralelamente, a BH Airport está investindo R$ 100 milhões para fazer melhorias em obras que eram de responsabilidade do poder público. No Terminal 1, que deveria ter sido entregue antes da Copa do Mundo, a construtora desistiu do contrato e o caso está na Justiça.

Outra promessa, a restauração da pista de pouso das aeronaves também não foi concluída, e os acionistas da BH Airport decidiram fazê-la. A forma de como a concessionária será compensada será discutida.