A história de Nova Lima se confunde com a trajetória da mineração no Brasil. O núcleo urbano que originou a cidade, atualmente com 87,4 mil habitantes, começou a ser formado em meados do século dezoito, a partir da descoberta de ouro. De lá para cá, Nova Lima se tornou referência na exploração de ouro e de minério de ferro. A economia do município acompanhou essa evolução. 
 
A cidade ocupa o primeiro lugar, entre os 853 municípios mineiros, no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) 2014, elaborado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). O ranking leva em conta o desempenho dos municípios em saúde, educação e emprego e renda (os dados são de 2011).
 
Elaborado pela Fundação João Pinheiro, o Índice Mineiro de Responsabilidade Social (IMRS) também endossa o desenvolvimento econômico e social do município. Segundo o IMRS de 2014, que leva em consideração os dados de 2009, 2010 e 2011 e tem o mesmo critério de avaliação (quanto mais perto de 1, melhor), a cidade é a nona mais desenvolvida de Minas Gerais.
 
 
Qualidade
 
Na avaliação da empresária e moradora de Nova Lima, Lúcia Silva do Vale, os índices descrevem bem a situação do município. “Tenho duas filhas formadas que estudaram na cidade, inclusive na faculdade. A educação do município é excepcional. O sistema de saúde também é muito bom”, afirma. 
 
De acordo com a presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Nova Lima, Tatiane Verônica Ribeiro, a extração minerária é a principal responsável pelo bom desempenho. 
 
Segundo ela, os royalties da mineração alavancam a capacidade de investimento do poder público em educação e saúde. 
 
Depois, porque faz com que a renda da população nova-limense aumente. Segundo o IMRS, a renda de Nova Lima tem pontuação 0,954, muito próxima de 1, que seria a nota máxima. 
 
“Apesar da nossa vocação minerária, a preservação ambiental é foco da cidade. Hoje, 62% da área de Nova Lima é preservada”, ressalta o prefeito, Cássio Magnani Júnior.
 
 
Comércio intenso
 
Como consequência da intensa atividade mineral, o comércio é intenso. Tatiane, que é proprietária do restaurante Pic Lanches, na praça principal, vivencia essa pujança. No estabelecimento, ela emprega 74 pessoas e atende 1.200 clientes por dia. 
 
“Sabemos que no segmento da alimentação a mineração não tem um impacto tão direto. Afinal, a maioria dos meus clientes não é formada por funcionários das mineradoras. Mas os parentes deles são”, afirma. 
 
Ou seja, com o aumento da renda das famílias, o comércio tem um resultado melhor. “Não imagino Nova Lima sem a mineração”, afirma a empresária.
 
 
Setor imobiliário espelha o crescimento
 
O desenvolvimento imobiliário é marca registrada de Nova Lima. É fácil perceber que os luxuosos condomínios horizontais têm crescido a passos largos. 
 
Os prédios, que antes não eram comuns, também começam a fazer parte da paisagem. Como consequência dos benefícios associados à qualidade de vida oferecida pela cidade e do aumento da renda dos nova-limenses, a valorização dos imóveis foi inevitável.
 
De acordo com o proprietário da RTW Imobiliária, Robson Torres, um apartamento em Nova Lima custa, em média, 20% mais do que um imóvel com tamanho e acabamento equivalentes em bairros de alto crescimento em Belo Horizonte, como o Buritis. “A qualidade de vida de Nova Lima conta muito. Além disso, a demanda é maior do que a oferta, o que faz os preços subirem”, comenta.
 
Além de dirigir a imobiliária, o empresário é gerente-geral das cinco unidades da Casa Estrela, tradicional loja nova-limense de cama, mesa, banho e vestuário. 
 
 
Tradição familiar
 
A primeira loja foi comprada em 1939 por Alfredo Wardi. “O dono da loja, na época, sofria de uma doença que era agravada pelo clima de Nova Lima e teve que se mudar”, diz o gerente-geral. O patriarca da família morreu aos 86 anos e trabalhou até o último dia de vida, conforme afirma Torres. 
 
Eduardo Wardi, um de seus filhos, é o responsável pela empresa. Agora, o gerente-geral treina um dos filhos de Eduardo, o Igor, para dar continuidade aos negócios. “Nova Lima é uma cidade muito boa. A família Wardi não vai sair daqui tão cedo”, afirma Torres. 
 
Além de qualidade de vida, ele cita a estabilidade econômica da cidade e a renda da população como vantagens para se instalar um comércio no município. Ainda de acordo com Torres, os resultados da loja estão diretamente ligados ao desempenho da atividade minerária. 
 
Em 2010, quando a mineração atingiu níveis históricos, o comércio respondeu à altura. “Nessa época, faltava mão de obra nas lojas. Vendíamos muito mesmo”, comenta.
 
Ainda com relação à mão de obra, ele afirma que atualmente, 90% dos funcionários são mulheres. No passado, a maioria era composta por homens. “As mineradoras oferecem melhores salários e nossos funcionários foram para lá. Hoje, as esposas deles trabalham conosco”, diz.
 
 
Jardim Canadá é polo de desenvolvimento
 
Uma região peculiar de Nova Lima tem se destacado como polo empresarial.ocalizado às margens da BR-040, o Jardim Canadá tem atraído cada vez mais empresários interessados em um ambiente tranquilo e diversificado. Hoje, cerca de 800 negócios funcionam no local.
 
O presidente da Associação Industrial e Comercial do Jardim Canadá, José Alexandre Leão, afirma que são empresas de diversos setores e que há espaço para todos. 
 
“No início, várias empresas moveleiras estavam instaladas no bairro. Hoje, temos muitas focadas em comércio e outras tantas de tecnologia”, afirma.
 
Ele é diretor-geral da Sawae, especializada em equipamentos de raio X humano e veterinário. A Sawae, segundo Leão, foi a primeira a se instalar no bairro, em 1998. 
 
“Naquela época, não tínhamos recursos básicos, como água e esgoto. As ruas não estavam sequer abertas”, diz.
 
De lá para cá, muita coisa mudou. E as mineradoras, aliadas com o poder municipal, de acordo com ele, foram cruciais para o desenvolvimento da região. A Vale e a AngloGold Ashanti são as empresas citadas pelo empresário como apoiadoras do Jardim Canadá. 
 
“Realmente existe uma interação muito grande dessas mineradoras com a comunidade. A praça dos Quatro Elementos, por exemplo, foi elaborada na minha sala, com representantes das mineradoras”, afirma. 
 
 
Mercado de luxo
 
O proprietário da Canadá Piscinas, Marcos Oliveira, está há 14 anos no bairro. O faturamento da empresa, segundo ele, aumenta em média 15% ao ano. O motivo é o desenvolvimento imobiliário. “Nosso público são os moradores dos condomínios”, afirma. Como exemplos ele cita o Vale do Sereno e o Alphaville.
 
A construção das casas luxuosas também refletiu positivamente nos negócios de Manoel Luiz Pereira Júnior. Ele, que é proprietário de uma loja de locação de equipamentos para a construção civil, a Locação Mesquita, vê a receita crescer pelo menos 10% ao ano. Mesmo quando a economia não vai tão bem, como neste ano. 
 
“Os loteamentos não param e as casas estão cada vez mais luxuosas. Estou no ramo certo”, comemora.