Grupos estrangeiros chegam ao Brasil para consolidar o setor de mineração. De olho em reservas minerais sobretudo em Minas Gerais e Pará, investidores devem iniciar um novo ciclo de fusões e aquisições. Na mira, grupos familiares de pequeno e médio porte.

A previsão de investimentos do setor no Brasil é da ordem de US$ 75 bilhões até 2016, incluindo expansões e novos projetos, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

O minério de ferro ainda é o principal alvo dos aportes e deve abocanhar 61,3% do total dos desembolsos. Além da manutenção da demanda chinesa, as perspectivas de oscilação de preço do minério acima de US$ 110 por tonelada para este ano justificam o aquecimento do mercado.

Fundos

Para o sócio e responsável pela área de fusões e aquisições do escritório Velloza & Girotto Advogados Associados, Cesar Amendolara, fundos de private equity estão migrando para o setor. Em geral, esses fundos alocam recursos em empresas, modernizam a gestão e valorizam os ativos, para na sequência vender.

“Recebemos recentemente investidores da Malásia, Índia e Inglaterra. Eles querem retorno rápido. Vão preparar empresas familiares, talvez até abrir o capital e depois sair do negócio”, disse.

Dentro desse perfil, em Minas, na região de Serra Azul, algumas empresas como Minerita e Itaminas resistem ao assédio de investidores. Ambas já estiveram envolvidas em negociações, que, no final, não se concretizaram.

Canadá e Austrália

Presidente das operações no Brasil da Forbes & Manhattan, Hélio Botelho Diniz acredita que recursos de Canadá e Austrália também devem ingressar no país direcionados à mineração.

“Temos grandes projetos de estrangeiros em ouro no Pará e em potássio na Amazônia. No Norte de Minas, o investimento em minério de ferro ainda parece arriscado em virtude da oscilação de preço do produto”, aponta.
Como o teor de ferro do minério do Norte de Minas é baixo, uma variação negativa no preço pode inviabilizar o negócio. Nos últimos seis meses, o preço da tonelada variou de US$ 99 a US$ 154.

Segundo Diniz, Minas ainda tem atrativos que garantem ao Estado um maior volume de investimentos do que o Pará, embora ele considere “sensacional” a qualidade do ferro nas jazidas de lá.