Movimento migratório também traz divisas para o país

18/01/2016 às 07:08.
Atualizado em 16/11/2021 às 01:03
 (Editoria de Arte)

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O movimento migratório de brasileiros para outros países, mesmo que seja de profissionais mais qualificados, também pode trazer ganhos ao país. A afirmação é do professor de Ciência Política do Ibmec Adriano Gianturco, um italiano que mora no Brasil há cinco anos.

“Quando alguém vai embora do país tem alguns motivos. Há algumas causas que podem ser investigadas, tem a crise econômica, o eterno problema brasileiro da segurança. As consequên-cias nem sempre são negativas”, afirma.

Na opinião do europeu, há três tipos de ganhos. Primeiro, muitas pessoas, com a perspectiva de ir embora, se qualificam mais (cursos de línguas, cursos técnicos). Depois, nem todas essas pessoas que se preparam vão embora de fato. Com isso, o país fica com uma mão de obra ainda mais qualificada.

Depois, quando as pessoas vão embora, deixam algumas vagas disponíveis, o que ameniza o desemprego.

Por fim, ele cita que quem vai embora faz remessas, mandando dinheiro para o Brasil, ou até mesmo começam pequenos negócios com familiares.

“Além do cenário monetário, quando a pessoa retorna para o Brasil volta com uma bagagem de conhecimento que é positiva no país. Se ele continua lá, consegue ajudar um irmão, um pai, um filho. Nesse sentido as coisas são mais positivas do que parecem”, avalia.

Insatisfação

A psicóloga Flávia Neves, mestre em gestão de pessoas e professora do MBA Executivo em Gestão de Pessoas do Ibmec, argumenta que o aumento da emigração de casais jovens não está relacionado apenas a uma questão de salário e da economia do país, mas também à violência.

A professora destaca que nos últimos anos houve um aumento significativo nas Declarações de Saída Definitiva do País, enviadas à Receita Federal. Em 2011 foram 7.956, contra 13.288 em 2015, em um crescimento de 67%. Desde 2011, esse número cresce regularmente todos os anos. O ápice foi de 2013 para 2014, com crescimento de 21%.

Flávia Neves enumera dois motivos: a confusão política e econômica, com o aumento da violência; e o perfil da geração Y, que busca não só realização profissional, mas qualidade de vida”.

Mas, ela receia que essa movimentação esteja se transformando em modismo. “Temos a tendência de falar que a grama do vizinho é mais verde. Até que você chega lá e vê que as coisas não são tão fáceis. Essa atitude tem que ser muito bem pensada, para ter impacto positivo na carreira profissional”.

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