A “nova gasolina”, de maior qualidade e rendimento e que deveria substituir a antiga, além de ser distribuída em todo o país, a partir de 3 de agosto – conforme portaria da Agência Nacional de Petróleo (ANP) –, ainda nem chegou à maioria dos postos da Grande BH. Apesar disso, o preço médio do litro do combustível em estabelecimentos da região metropolitana subiu, entre julho e a semana passada, quase o mesmo percentual de elevação estimado para o custo da fórmula diferenciada sobre o da atual: 4,5%.

A constatação dessa “coincidência” foi feita pelo site Mercado Mineiro, que colheu os valores em 135 locais de BH, Betim e Contagem, de 5 a 7 de agosto, e concluiu que, desde o mês anterior, o litro da gasolina passou de uma média R$ 4,062 para R$ 4,248. “O que nos motivou a fazer o levantamento foi justamente o suposto início da venda da nova gasolina, na segunda--feira da semana passada”, diz o diretor do site, Feliciano Abreu. “Não perguntamos aos postos se já tinham o produto, apenas anotamos os preços. E vimos que a gasolina comum teve quase 5% de alta em relação à pesquisa anterior, ou seja, o mesmo percentual que vinha sendo previsto para reajustar as bombas com a chegada do novo combustível”, completou.

Sem previsão

Ontem à tarde, o Hoje em Dia entrou em contato com dez dos postos da pesquisa que registravam os maiores preços pela gasolina (entre R$ 4,38 e R$ 4,69 o litro) e situados nas regiões Centro-Sul, Leste, Noroeste e Barreiro. Nenhum deles havia recebido o combustível com as modificações exigidas pela ANP.

“Na verdade, você não deve encontrar esse produto em nenhum posto de BH. Vai demorar um bom tempo para que chegue às bombas”, disse a gerente de um dos estabelecimentos, no bairro São Gabriel. Ela se referia ao fato de que, conforme a própria ANP, refinarias e distribuidoras ganharam prazo de 60 dias, a partir de 3 de agosto, para efetivarem a troca da gasolina. Já os postos têm 90 dias para a mesma tarefa: o que significa que a data limite é 3 de outubro. 

Também procurado, o Minaspetro, sindicato dos postos do Estado, informou não saber se a gasolina nova estaria ou não disponível na capital, na semana passada. A entidade esclareceu, contudo, que a alta de preços deveu-se a fatores distintos, como o reaquecimento da demanda,m após queda significativa de procura nos primeiros meses da pandemia, e reajustes seguidos das refinarias desde maio (58% para a gasolina e 23% para etanol). Além disso, em Minas também houve correção de R$ 0,05 no ICMS sobre combustíveis, a partir de 31 de julho, o que contribuiu para ampiar o valor final do produto.

Etanol

Conforme a pesquisa, os preços da gasolina comum tiveram variação de 17% entre os postos da Grande BH: na capital, por exemplo, iam de R$ 4,009 a R$ 4,699. No caso do etanol, que também encareceu,a diferença entre valores mínimo e máximo era até maior: o litro custava R$ 2,547 e R$ 3,179, variação de 25%. Na comparação entre julho e agosto, o aumento foi de 1,42% ou R$ 0,04. "Só que abastacer com álcool continua valendo a pena porque o preço médio do litro corresponde a 64% do que é cobrado pela gasolina", disse Feliciano Abreu.