Apesar do fim do pagamento do Auxílio Emergencial pelo governo federal, no mês que vem, cerca de 1 milhão de famílias em situação de extrema pobreza em Minas Gerais, incluindo a capital, não devem ficar sem ajuda. Elas poderão contar com dois novos benefícios – um criado pelo governo estadual e outro, pela Prefeitura de Belo Horizonte –, que prometem aliviar, ao menos um pouco, a penúria intensificada pela pandemia. Em novembro, a soma dessas “bolsas” representará R$ 1 mil nos orçamentos de parte desse grupo. 

Criado no ano passado, com o objetivo de reduzir os impactos econômicos da Covid sobre a baixa renda, o Auxílio Emergencial foi renovado em 2021 e pago em sete parcelas, a última em outubro. O governo federal avisou, porém, que não irá renovar o benefício, já que pretende criar, até o fim do ano, o Auxílio Brasil, substituto do Bolsa Família – embora ainda nem se sabia de onde virão os recursos para tal.

 

Força Minas

Já o pagamento do auxílio mineiro, chamado de Força Minas, foi criado em maio pelo Executivo e o Legislativo estaduais. Inicialmente, a parcela única de R$ 600 – seria de R$ 500, mas foi aumentada pelos parlamentares após desavenças com o governador Zema (Novo), relativas à paternidade da iniciativa – seria paga em agosto.

Por falta de recursos em caixa para tal (R$ 600 milhões, que viriam do refinanciamento de dívidas de empresas com o Estado, o Refis), foi adiada para 1º de novembro. Espalhadas pelo Estado, as cerca de 1 milhão de famílias beneficiadas, inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) até 21 de maio, apresentam renda familiar de até R$ 89 per capita, por mês. 

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Alento

A chegada dos novos auxílios trará alento à ambulante Maria Gabriela Ferreira Costa, 29 anos, que vende balas, água e biscoitos em um sinal de trânsito no Barro Preto, Centro-Sul de BH. Grávida de 9 meses, ela os benefícios para pagar as despesas com o filho por chegar. “Os auxílios virão em boa hora, principalmente porque, com o bebê, não poderei trabalhar”.

 

Comida

A renda mínima garantida com os auxílios não deve interferir na economia, mas irá servir, ao menos para, que a parcela de moradores mais pobres do Estado e da capital tenha o que comer. “Por conta da inflação em alta e da própria situação dessas pessoas, o impacto da ajuda é essencialmente social. Esse dinheiro não vai para a compra de bens de consumo, vai para colocar comida no prato”, explica a professora e economista Mafalda Ruoivoi Valente, das Faculdades Promove .

 

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