O parque automotivo mineiro, segundo maior do país, vai parar no Carnaval, ampliando a folga tradicional do período para reduzir o ritmo de produção. A Mercedes-Benz, em Juiz de Fora, a Iveco, em Sete Lagoas, e a CNH Industrial, em Contagem, vão dispensar os funcionários e suspender temporariamente a operação das linhas de montagem. A folga maior em relação a anos anteriores é resultado do encolhimento do mercado.

A Fiat, em Betim, já está em férias coletivas, com duração de 20 dias, desde 27 janeiro.

De acordo com a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas totais do setor automotivo no mercado brasileiro caíram 38,8% em janeiro deste ano em relação a igual mês do ano passado. Foram comercializadas 98,5 mil unidades a menos. Em relação a dezembro, as vendas foram inferiores em 71,4 mil unidades, ou 31% de retração.

A unidade mineira da montadora alemã Mercedes-Benz, na Zona da Mata, para de 7 a 12 de fevereiro, quando todos os trabalhadores da área operacional estarão dispensados. O setor administrativo retorna ao trabalho um dia antes, em 11 de fevereiro. Serão aproximadamente 750 funcionários em folga, segundo informou a empresa. A fabricante de veículos vem adotando desde o ano passado medidas para alinhar a produção à demanda menor e mantém ainda 42 funcionários com o contrato de trabalho suspenso.

Em Sete Lagoas, os cerca de 3,2 mil trabalhadores do complexo industrial da Iveco, fabricante de caminhões e micro-ônibus, e da Iveco Veículos de Defesa, de blindados sob encomenda para o Exército, também estarão dispensados no Carnaval. A folga será de 6 a 11, e um acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos da cidade foi firmado para que seja usado o banco de horas dos trabalhadores. Na fábrica de caminhões e ônibus a capacidade anual é de cerca de 70 mil veículos.

Em Contagem, a CNH Industrial controla duas marcas de máquinas, a Case e a New Holand, fornecedoras do setor agrícola e da construção. Os trabalhadores de ambas não vão trabalhar de seis a 10 de fevereiro, mas nesse caso repetem o que ocorreu no ano passado, de acordo com a assessoria de imprensa da empresa. O ambiente desfavorável levou a CNH a suspender um investimento de R$ 600 milhões em uma nova fábrica de máquinas em Montes Claros. Cerca de 2,7 mil empregos seriam gerados na unidade, que teria capacidade para 6 mil máquinas por ano.

O mercado adverso também causa demissões no setor, aponta a Anfavea. De janeiro de 2015 a janeiro deste ano, o contingente empregado na indústria automotiva ficou menor em 14.766 vagas. São, atualmente, 129,3 mil empregados no setor.