Justamente na fase da vida em que mais precisam, pessoas com 60 anos de idade ou mais têm enfrentado dificuldades enormes para contratar um plano de saúde. Na procura por assistência médica privada, de mais qualidade, encontram preços altíssimos, muitas exigências e até as portas fechadas. Também são compelidas a pagar mais caro por um serviço que, em muitos casos, restringe o acesso à maioria dos exames, consultas e cirurgias.

A “recusa” aparece nas estatísticas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), com a participação de usuários idosos caindo ano a ano. O que acontece, segundo o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), é que as operadoras, por acreditarem que o cliente trará prejuízos, desestimulam, dificultam ou impedem o ingresso de idosos aos planos, apesar de a prática ser proibida por lei.

Como forma de desencorajar a comercialização, simplesmente não pagam a corretagem ou a comissão do corretor que vende um plano ao freguês cuja idade já avançou a casa dos 60.

Contra a lei

“Operadoras e corretoras não podem dificultar a vida de quem deseja contratar um plano só porque a pessoa já tem mais de 59 anos. Isso é discriminação, uma conduta totalmente ilegal que contraria o Código de Defesa do Consumidor e a Lei de Planos de Saúde”, explica Joana Cruz, advogada do Idec, órgão que acumula queixas de idosos com relação ao assunto.

Aos 70 anos, o aposentado Luciano Corrêa conta com a sorte e a “saúde que Deus deu”. “A gente só encontra, e quando a gente encontra, preços absurdos, inacessíveis para a maioria da população”, reclama.

Às vésperas de completar 76 anos, a pensionista Juracy Alcântara desistiu de ter pela primeira vez um plano de saúde privado. Procurou, pesquisou, mas o mais barato que conseguiu foi R$ 300, para atendimento e internação em locais limitados e ainda coparticipação (modalidade em que o usuário arca com parte dos custos dos procedimento).

Uma consulta simples, por exemplo, custaria a ela R$ 18. Já a opção que daria direito a um “atendimento decente”, segundo Juracy, sairia por R$ 1.400 ao mês. “Explicava que minha saúde é de ferro, que só queria uma segurança. Mas de nada adiantava. Isso quando não me enrolavam. Cansei”, lamenta.

Outro lado

A Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), que representa cerca de 250 operadoras de planos de saúde associadas, num total de 20 milhões de usuários no país, não respondeu às solicitações de entrevista. A Abramge-MG também foi procurada, mas não se pronunciou até o fechamento desta edição.

Leia mais na edição digital