A pandemia da Covid-19 e a escalada de mortes causadas pela doença no país fizeram disparar a demanda por formas de dar segurança a entes queridos, em caso de óbito de um familiar. Dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), reguladora do setor no país e ligada ao Banco Central, mostram que a procura por apólices de vida teve alta de 11,4% em janeiro e fevereiro de 2021, em relação ao mesmo período do ano passado.

Somente em indenizações, pagas a contratantes de seguros para danos pessoais permanentes – causados por doenças –, as companhias em operação no Brasil desembolsaram um total de R$ 193,6 milhões, nos dois primeiros meses deste ano. O volume representa uma alta de 19% em relação ao montante pago no mesmo período do ano anterior. 

Companhias desembolsaram R$ 193,6 mi em indenizações por danos permanentes por doença, em janeiro e fevereiro

De acordo com o diretor de produtos da Zurick Santander, João Batista, a maioria dos que procuram seguros durante a pandemia quer garantir conforto a parentes, caso seja contaminada e não resista ao novo coronavírus. “O brasileiro sempre viu o seguro de vida como um produto, mas agora ele percebeu que é uma ferramenta de planejamento familiar”, diz o executivo. 

Planejamento familiar

Garantir os estudos, manter padrões de vida, deixar companheiros e filhos em condições de prosseguir com segurança financeira. Esses são alguns dos motivos que levaram brasileiros a fazer seguros, em plena pandemia. 

A advogada Ivanete Calixto e o administrador de empresas Leandro Pimentel - ambos de 46 anos –, por exemplo, decidiram fazer uma apólice dupla para resguardar a filha Sofia, de 9 anos. “Estamos vivendo um tempo difícil e queremos garantir um futuro para a ela, caso aconteça algo pior a um de nós”, explica.

Já o médico Mário Soto, de 55 anos, foi beneficiado com o recebimento de parte da indenização prevista em um seguro profissional, ao ser acometido pela Covid-19, em dezembro. Após passar pela doença, o médico reviu os seguros de vida que já possuía, tendo como beneficiárias a esposa e as duas filhas de 18 e 15 anos. “Sempre vi os seguros como parte do planejamento familiar. Agora, ainda mais. As coisas acontecem, a vida é assim. A gente pode sofrer um acidente, ser acometido de uma doença e partir, de uma hora para a outra”, destaca o médico.

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